sábado, 23 de fevereiro de 2013

O Lado Bom da Minha Vida (Crônica)


Tive que assistir duas vezes esse filme pra entendê-lo melhor. Ainda não li o livro, que, por costume, deve ser ainda melhor. Já providenciei a compra e lerei tão logo chegue. Não fica nem perto dos melhores filmes que já vi, porém é um dos que mais me tocaram a alma. O personagem principal, Pat, tem o Transtorno Afetivo Bipolar do Humor, assim como eu e muitos outros. O filme abordou de uma forma muito delicada a Bipolaridade e, ao meu ver, esclareceu muita coisa a respeito. Mostrou que a Bipolaridade é um transtorno de HUMOR e não de PERSONALIDADE. Há muita ignorância ainda a respeito disso, mesmo com tanta informação à disposição. Conheço muita gente que confunde Bipolaridade com Esquizofrenia ou demais Transtornos de PERSONALIDADE. 

Escrevo com muita emoção, pois realmente foram mostradas situações reais e que dão até uma esperança a nós, bipolares, que temos os nossos episódios depressivos recheados de negatividade e os episódios maníacos recheados de positividade excessiva. Vi neste filme uma amostra de soluções de forma muito honesta. Costura-se uma história de amor entre duas pessoas transtornadas. Entra na história a Tiffany, também transtornada, por outros vieses, que conhece Pat em um jantar catastrófico, onde a comunicação de ambos é extremamente "louca", onde um toca na ferida do outro, depois falam sobre os remédios que tomaram e no decorrer da história se aproximam de uma forma muito legal. Há outra personagem, a Nikki, esposa de Pat, colega de profissão e ao que me pareceu, o símbolo de uma mulher "normal", dessas que gostam de homens "normais" ou tentam consertar os "defeituosos". Na trama, Nikki é flagrada traindo Pat pelo próprio, desencadeando um acesso de fúria que levou o rapaz à cadeia por quase matar o amante da esposa "na porrada" e logo após a cadeia, indo parar em um hospital psiquiátrico por oito meses, sendo tirado de lá pela mãe. Vejam o filme, leiam o livro pra saberem mais...

Busquei em meus pensamentos, antes de escrever, o lado bom da minha vida, e vi que é muito bom. Escrevo, sou um pouco reconhecido por isso. Tenho como profissão a coisa que mais amo fazer na vida: música, e sou reconhecido por tal coisa. Tenho filhos lindos, saudáveis e bem encaminhados. Tenho uma família que me apoia, que ajuda a me manter firme. Tenho tanta coisa boa nesse "lado bom"...

Até o momento desse texto, a vida amorosa não vai bem, mas os pensamentos de que por causa do meu Transtorno eu não poderia ter uma vida amorosa boa e saudável parecem cair por terra. Talvez por entender que não preciso ter vergonha do Transtorno, pois eu me medico corretamente segundo as instruções do meu psiquiatra e vou me conhecendo cada dia mais na terapia. Talvez por entender que não preciso mudar minha personalidade pra agradar uma "Nikki" e sim controlar das melhores maneiras possíveis meu humor. Uma "Tiffany" com todos os seus defeitos e transtornos, pode servir melhor pra um cara como eu. Viva la vida loca!

Beijo nas crianças,
EXCELSIOR!!!!
MB

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Beldades Sozinhas, Apesar de... (Crônica)

Ontem eu estava num restaurante delicioso na Ilha da Gigóia (procurem no Google) e tive uma daquelas visões que a gente agradece a Deus por ter feito uma mulher tão bela e por termos o privilégio de enxergá-las. Ela estava tomando banho de piscina em sua casa, que fica de frente pro restaurante e algo, além da beleza plástica da mulher, me chamou muito a atenção... Ela vinha várias vezes pro deck de sua residência sozinha e ficava com uma expressão triste, pensativa... Fiquei pensando até em acenar pra ela e convidá-la pro restaurante, mas não sei se a criatura é casada. Não vi aliança em nenhum dos dedos anelares dela, mas ela poderia morar junto com alguém, né? Gosto de correr riscos, mas uso Freios Varga pra não bater na parede ou no poste.

Entrei em profunda reflexão sobre o fato de eu conhecer mulheres LINDAS e SOLTEIRAS. Umas dizem que "tão na pista pra negócio", outras dizem que "são felizes consigo mesmas", outras dizem que "tem medo de se relacionar", entre outras coisas diferentes que dizem. Eu não vi naquela mulher do outro lado da Ilha felicidade alguma. E vou dizer detalhes do que vi: seios empinados, lindas coxas, barriga irretocável... Enfim, uma mulher que não pode reclamar com o espelho que está feia (mas deve reclamar, por supuesto, ao menos na TPM). Ser bonita e gostosa é o bastante pra ser feliz, mulheres? Me parece que a resposta é "não".

Eu observo que essas beldades que estão sozinhas, apesar de muitos homens estarem a cortejando, entram num processo de "ser seletiva" e quando isso beira o exagero, ou chega lá, a probabilidade delas ficarem sozinhas em definitivo é enorme. Se a mulher se basta por si própria, tudo certo, queridona, sucesso, boa sorte! Tá com grana pra manter tudo em cima até o fim da vida? Acha que encontrar um parceiro pra envelhecer junto é caretice? Fé em Deus e pé na tábua!

Pelo o que vejo, cedo ou tarde, apesar da grana, a casa cai... Vira maracujá de gaveta mesmo. Aí tem que arrumar namorado nos bailes de terceira idade, se sentir real necessidade, ou então fazer cadastro no Badoo, Par Perfeito, eHarmony, etc, e torcer pra sorte lhe sorrir.

Vejo que as beldades adoram andar em bando. Umas, mais saidinhas, se juntam pra "pegar" aqueles caras bombadões de academia com (grande maioria) de cérebro de pasta de amendoim. Outras ficam juntas pra se protegerem dos caras (de qualquer espécie), não assumem que, mesmo lindas, são fracassadas no amor.

Tem uns livros babacas que li dizendo que conquistar uma beldade é mais fácil do que uma mulher "comum" (whatever). É notório que muitas delas são carentes porque tem um bando de bobões que não têm coragem de assediá-las, por achar que ali é "missão impossível". Acaba que não chegam nelas e elas, sabendo que são lindas, não vão assediar um cidadão, pois elas são lindas e isso seria um desprestígio a si mesmas. 

Enfim, o tempo passa e o TEMPO VOA... Quem tiver ouvidos, ouça. Quem tiver cérebro, entenda.

Beijo nas crianças,
MB

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A Conquista (Crônica)

Vamos começar essa crônica sem lero-lero... Eu costumo ser muito atrapalhado quando entro em estado de apaixonamento. Tenho um cupido mais míope do que o Mister Magoo. Quando o "anjinho do amor" consegue me atingir, segundo o IBGE, as coisas não ficam bem pro meu lado. Ou a senhorita quer apenas ser minha amiga e/ou tem medo de relacionamentos. Cara, eu tive alguns relacionamentos na minha vida bem vivida, por sinal. Alguns posso dizer que foram muito bons enquanto duraram e outros foram traumatizantes. Entrei numa de ficar com medo de me relacionar. Cheguei a uma conclusão muito clara, pensando bem: essa coisa de "medo de se relacionar" é uma resposta que a gente dá quando não está a fim da pessoa e não quer ser "indelicado" ou coisa do tipo. Eu tenho medo de me relacionar, mas quando aparece essa mulher que me interessa, o medo todo se desfaz porque eu fiquei A FIM DELA. É assim, simples... Você fica a fim e os medos, bloqueios e tudo o mais vão embora. 

Quero me ater ao processo de CONQUISTA. Li diversos livros, ouvi diversas mulheres dando dicas e concluí que não adianta nenhuma teoria. Quando uma mulher não quer um cara não há artifício algum que mude o panorama. E mais: que graça tem conquistar uma mulher sendo alguém que você não é? Pô, eu aceito as pessoas como elas são. Se elas são de uma forma que não curto, não tento mudá-las, simplesmente me afasto. Não sou de ligar toda hora, não sou de mandar mensagens SMS direto, NÃO SOU GRUDENTO. Sou carinhoso, atencioso, amigo, preocupado com o bem estar, mas tomo um cuidado danado pra não ser chato, entrão e, de certa forma, "opressor".

Não quero usar mais estratégias para conquistar uma mulher. Eu já sei quem sou e mesmo assim ainda tenho muito o que aprender sobre mim. Quero apenas conquistar uma mulher do jeito que eu sou, sem livro de ajuda, sem métodos, sendo APENAS EU, afinal, se eu não mantiver a "linha" depois da conquista, esta relação estará fadada ao fracasso, pois as máscaras caem um dia. Sim, no processo da conquista é natural que mostremos nosso melhor lado e, por instinto, ocultamos o máximo possível os nossos defeitos. Está aí uma palavra-chave: NATURAL! Acho que uma verdadeira conquista se dá quando aquele que está tomando as iniciativas, geralmente numa situação adversa, ou seja, quando a outra pessoa não corresponde, age naturalmente sendo tão somente o que é.

Eu caí numa esparrela terrível de que mulher não gosta de "caras legais", que costumeiramente é denominado de "fofo", "querido", "amigão". Esta foi uma das maiores autossabotagens da minha vida. Por isso eu entrava sempre "em campo" com o time já derrotado. Lembrando dos meus relacionamentos que considerei bem sucedidos, eles começaram a partir do momento que eu estava sendo eu mesmo sem me preocupar com a impressão que ficaria na mulher pela qual me interessava. Estas tiveram o Marcio "nu e cru" e comigo tiveram longos relacionamentos.

Penso que a conquista da pessoa querida/desejada/amada deve ser pelos métodos que na verdade não existem. Penso que há mulheres que apreciam caras como eu, portanto não vou ficar procurando... Na minha cabeça vem esses dizeres: "não procura... deixa vir...". Que venha, então! Enquanto isso, escrevo e canto canções.

Beijo nas crianças,
MB

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Pisar na Merda (Pensamento)

Pra você evitar pisar na merda, não precisa baixar a cabeça. Fique de cabeça erguida olhando pro horizonte e prestando atenção lá na frente. O sábio antecipa seus movimentos quando vê a merda adiante, e, claro, não irá pisar nela.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Os Solteiros "Felizes" (Crônica)

Parto do princípio de que quem fala muito determinada coisa, na verdade, está inseguro nesta mesma coisa. Quem precisa expôr que está feliz em seu casamento, de forma exagerada, ao meu ver não está. Mas não é sobre os casados que estou escrevendo. Quero falar sobre os "solteiros felizes", aqueles que vociferam em redes sociais ou fora delas a "alegria" de estarem soltinhos "na pista". Na boa, o pouco que estudei sobre psicologia já é o bastante pra determinar que exageros de qualquer coisa que seja, em discursos, denota plena insegurança ou até o contrário daquilo do que se quer mostrar. Confesso que quando estou com excessivo bom humor quer dizer que, na verdade, estou triste. Sei que isso acontece com muita gente também.

Eu, sinceramente, acho graça quando pessoas ficam querendo convencer as outras de que estão felizes sozinhos. Eu não acho que a canção "Wave", que diz: "É impossível ser feliz sozinho" uma verdade absoluta. Acho que um solteiro pode ser feliz de verdade, mas quando se propaga demais essa "felicidade", começo a desconfiar bastante. Fico imaginando essas pessoas assistindo filmes românticos ou ouvindo canções românticas e deixando escapar um sorriso, um suspiro, uma lágrima... Eu sou desses, que suspira, sorri e chora. Concluo que, com isso, não estou feliz por estar solteiro, mas não estou triste também.

Vejo muita gente dizendo que as palavras tem poder, coisa e tal... Tem, de fato... Mas já passei anos falando "não amo mais a fulana" todos os dias e parecia que eu amava mais a "fulana" a cada dia. As palavras tem poder, mas o poder está na fé com que essas palavras são ditas. Se falar da boca pra fora, as consequências dessas palavras serão somente externas. Se você diz: "Sou um infeliz", da boca pra fora, não muda muita coisa dentro de você, mas quem ouve pode querer se afastar ou ficar com pena de você, o que não é nada bom.

Se você é um solteiro feliz, experimente falar menos e SER. É sendo que você vai convencer. Falando, você pode convencer uns poucos. Parafraseando uma frase que eu ouvia na época que eu era ativo na Igreja Católica como músico missionário, "as palavras podem convencer pessoas, mas os atos e atitudes ARRASTAM pessoas". Vamos trocar o "FALAR" pelo "SER". Isso, sim, será convincente de fato.

Beijo nas crianças e juízo no carnaval, se vocês não quiserem beijar crianças daqui a nove meses,
MB

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Perdas e Danos (Crônica)

No dia 01 de Fevereiro, por volta de duas horas da manhã, perdi meu avô Pedro, a princípio, pro câncer. Digo "a princípio" porque ao conversar com meus pais, analisando a causa mortis, digo com precisão que não foi o câncer que levou meu avô. O relatório dado pelo Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro não foi claro em dizer a causa da morte. Foram muitas as possíveis causas. Não houve menção direta e objetiva ao câncer. Me pareceu que a equipe médica não sabe o que aconteceu.

A perda é recente, ainda dói demais a falta de vovô. Há nove meses ele deu entrada no HSE-RJ, fez uma cirurgia para a retirada do tumor. A cirurgia tinha sido bem sucedida, segundo os médicos responsáveis e meu avô foi para o pós-operatório para se recuperar. Num determinado dia, ele expeliu uma secreção (vômito) e minha mãe correu para chamar algum(a) enfermeiro(a) para proceder a sucção e ela não foi atendida prontamente, apesar de ter pessoal para fazer o procedimento em tempo hábil. Quando um dos profissionais foi fazer a sucção, a secreção já tinha ido toda para os pulmões de vovô, o que causou a necessidade de traqueostomia para que ele pudesse respirar. O resultado dessa NEGLIGÊNCIA levou meu avô para o CTI, local de onde ele saiu apenas uma vez, mas rapidamente retornou e passou longo tempo por lá antes de falecer.

Minha mãe e minha tia, únicas filhas vivas dele, iam todos os dias ao Hospital, viveram suas vidas em função dele. Mesmo com todo o cuidado na fiscalização dos serviços médicos, elas só tinham duas horas por dia pra realmente verificar o tratamento de vovô. Nas vezes que o visitei, parecia que ele estava sendo bem cuidado, estava lúcido e nos comunicávamos. A traqueostomia, durante um longo tempo, o impediu de falar e nossa comunicação era por leitura labial. O que me preocupava era a perda de peso rápida que meu avô sofreu. Por causa da traqueostomia, ele não podia deglutir, então sua alimentação (?) era feita através de sonda. Essa alimentação (?) se mostrou ineficiente, pois a cada dia meu avô parecia estar mais desnutrido.

A dor, o envolvimento emocional, por vezes cega o entendimento. Aqui vai o meu recado pras famílias que passam por situações semelhantes: Ao detectar erro médico, acionar imediatamente o hospital. Não fizemos isso na época devida. Estávamos todos movidos por uma imensa fé de que o quadro de vovô se revertesse. Minha mãe relatou algumas coisas que ela deveria ter produzido provas. Não vou entrar em muitos detalhes pro texto não ficar ainda mais longo. Vou me ater às duas últimas semanas de vida do meu avô.

Cerca de quatorze dias antes do falecimento dele, os médicos começaram a nos preparar para a morte dele, dizendo que tinham feito tudo o que estava ao seu alcance e que a partir daquele momento, "só a Misericórdia Divina", disse um médico teísta, coisa rara (ou não, sei lá, não estou acostumado a ouvir médicos falando de Deus). Minha mãe viu, nas visitas, ampolas de FUROSEMIDA perto do leito de vovô. Esta substância serve para um bocado de coisas, mas o mais conhecido efeito colateral dela é a BAIXA DA PRESSÃO ARTERIAL. Isso deveria ter sido fotografado à época, sem contar com algumas alterações no corpo de vovô, que vou me abster de relatar. Fotos devem ser tiradas, a fiscalização tem que ser feita com afinco, principalmente em se tratando de SAÚDE PÚBLICA.

Decidimos não processar, decidimos "deixar pra lá", até porque não temos provas cabais de nada e mesmo as tendo, não trariam meu avô de volta. Se ganhássemos dinheiro, seria muito mal recebido por nós. Não somos uma família de gananciosos.

Na minha opinião, meu avô morreu por erro médico, negligência total. Digo que é uma opinião, pois não posso afirmar precisamente que meu avô morreu praticamente assassinado. Não posso afirmar precisamente que as doses diárias de Furosemida foram matando meu avô aos poucos. Posso afirmar precisamente que meu avô morreu DESNUTRIDO, posso afirmar precisamente que meu avô morreu QUERENDO VIVER, de OLHOS ABERTOS, posso afirmar precisamente que meu avô morreu SEM SENTIR DOR (palavras do médico que anunciou o falecimento).

Famílias, muita atenção aos enfermos. Não deixem nada passar. Se errarem, processem na hora! Fazer isso depois que o seu ente querido falecer não o trará de volta. A saúde pública brasileira é LAMENTÁVEL, LASTIMÁVEL e VERGONHOSA.

Beijo nas crianças,
Beijo, vovô! A gente se encontra! Dá um beijo na vovó! Saudades!

MB