segunda-feira, 18 de abril de 2011

Contrastes (Poesia)

Recolhi as fotos, rasguei os fatos
Quebrei os pratos, juntei os cacos
Esqueci das palavras, lembrei das caladas
Acabou o ardor, lá se foi o amor
Morreu a tristeza, ressurgiu a alegria
Te perdi, me ganhei

domingo, 10 de abril de 2011

Relações Interpessoais da Era Digital x Era Analógica (Crônica)

Ontem constatei uma coisa que me assustou. Notei que mantenho mais contatos via internet do que fora dela e perdi a habilidade de "puxar assunto" com pessoas que não conheço, cara a cara. Vi que, atualmente, a minha habilidade de fazer amizades via internet é inversamente proporcional à minha habilidade de fazer amizades fora do cyberespaço. Engraçado, porque eu sou de uma geração que não tinha internet até o fim da adolescência, que viu o surgimento dos telefones celulares e demais aparatos que "diminuem distâncias". Lembro que eu era um cara muito hábil em fazer amizades, era descolado e abordava as pessoas sem problema algum. A medida que a internet entrou na minha vida, transferi pra web essa habilidade. Sim, a palavra certa é transferência mesmo, porque saiu de um lugar e foi pro outro. Fiquei assustadíssimo porque eu estava numa casa de shows e troquei olhares com uma jovem bem apessoada e me vi travado, sem saber o que fazer e dizer. O que eu diria? "Oi, de onde você tecla?", "Você tem MSN? Twitter? Facebook? Skype? Orkut?". Simplesmente eu não tinha fala, não tinha atitude e na internet sou exatamente o contrário. Isso é preocupante, ao meu ver, e tenho certeza que não sou o único quem vive essa realidade.

Fiquei lembrando de situações inusitadas, como conhecer uma vizinha que mora bem ao lado da minha casa pela internet. Sim, eu puxei assunto com ela pedindo seu Orkut e MSN. Isso faz tempo. Só agora fui notar que isso foi piorando com o passar do tempo. Quantas vezes usei a internet pra conhecer melhor pessoas que eu poderia conversar de perto e conhecê-las à "moda antiga".

Eu sempre digo aos meus amigos que estamos na "Era Digital" e tudo hoje é mais "rápido", "dinâmico"... Eu me adaptei perfeitamente a esta "Era", pois sou um Geek assumido, só que sinto falta de coisas que existiam no que eu posso nomear "Era Analógica", como os encontros ao vivo, sem aparatos eletrônicos, quando as pessoas iam nas casas das outras, quando as confidências entre os amigos eram feitas pessoalmente e não por email, mensagens instantâneas e redes sociais.

Lembro do tempo onde toda semana tinha uma festa, uma reunião na casa de alguém... Levávamos bebidas, comidas e confabulávamos e trocávamos idéias ali, ao vivo. Era rico demais, eram experiências definitivas. Era uma troca de energias, conhecimentos e opiniões, que acrescentavam muito na "bagagem" de cada um.

Lembro que eu tinha a Enciclopédia Barsa e hoje temos o Google. Ok, eu acho o Google um avanço em termos de pesquisa. A velocidade na aquisição das informações pretendidas nem se compara quando era pra procurar na Barsa. A internet tem benesses fantásticas para a vida do ser humano, mas não tenho visto grandes benesses para os relacionamentos interpessoais. Vejo muita gente como eu, que transferiu sua vida social para o cyberespaço.

Vou usar um jargão muito recorrente no Twitter: "TEM QUE VER ISSO AÍ..."

E vou ver mesmo, e mudar. Nada de fazer uma nova transferência, mas na verdade um Control+C, Control+V das minhas habilidades interpessoais na web para a minha vida fora da web.

Relacionemo-nos pessoalmente, não deixemos isso morrer nunca.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Erros... (Reflexão)

Muitas pessoas dizem que aprendemos com os erros e concordo com elas. Porém, será que insistir no mesmo erro faz você realmente aprender algo? Sinceramente, acho que o efeito é inverso. Tudo bem, essa coisa de viver a vida tendo tolerância consigo mesmo acho até salutar, mas também acho que a autocrítica não pode ser deixada de lado. Notei em mim, noite passada, uma triste tendência de repetir erros diversas vezes, ou seja, acho que ao invés de aprender com os erros eu "desaprendi". Acredito que o aprendizado com um erro tem como seu principal produto o fato dele não ser mais repetido, ou, no máximo, ele não ser repetido com frequência. O que me alegra são essas palavras que estou escrevendo, provando para mim mesmo que há uma luz no fim do túnel. Chega de "erros de estimação"! Ok, errar é humano, e como sou humano, não vou parar de errar, mas como diz o dito popular, "persistir no mesmo erro é burrice" e burro eu não sou.

Minha Poesia é Ruim (Poesia)

Não sei escrever poemas
Sou apenas um homem que gosta de palavras
Gosto de unir palavras e sentimentos
Não esperem de mim textos geniais
Esperem de mim apenas palavras que saem do mais profundo do meu ser
O que não quer dizer que eu seja profundo
Ou que eu vá escrever coisas profundas
Sou quem sou sem vergonha de o ser
Minha poesia é ruim
É rasa, é simplória
Mas é verdadeira, ainda que você não goste dela
Seguirei escrevendo, publicando
Quem sabe eu não pegue o "jeitinho"?

Locked Door (Poesia)

A porta foi trancada
Todas as chaves foram destruídas
Não tem maçaneta
Ninguém mais entra
Eu não saio mais
O mundo lá fora virou ao avesso
E eu não quero mais me envolver
Quem me ver andando por aí
Saiba que é apenas um corpo que caminha
Deixei no lado de fora bons sentimentos
Aos velhos e bons amigos
Aos familiares, ao meu trabalho

Serei daqui pra frente um indivíduo sem sexo
Uma pessoa, somente uma pessoa
Com sonhos mais modestos e possíveis
Dizem que o ser humano não nasceu pra ficar só
Comprovarei a veracidade disso na pele
Sim, eu desisto, mas não de viver
Quero viver, e muito
Quero estar perto dos meus amigos
Quero cuidar dos meus filhos
Mas não quero mais a tal "ajuda necessária" que a Bíblia diz
As mulheres são dádivas divinas
Mas não quero mais delas algo além de amizade
Não quero mais relações sexuais
Não quero mais beijos na boca
Só quero viver cada segundo do tempo que Deus me reservou
E quando Ele me levar, sei que vou deixar boas coisas neste mundo
Não me importo, com toda a sinceridade
Se me acharem louco, depressivo ou seja lá o que for
O que me importa é que vou buscar a minha felicidade
E a minha felicidade verdadeira está dentro de mim mesmo
Quem sabe, após eu encontrá-la, eu arrombe essa porta trancada
E mude de ideia?

Decisão (Poesia)

É doloroso tomar certas decisões
Abdicar de sentimentos tão repletos de certeza
Há sentimentos que são iguais a furúnculos
Pra sarar, tem que espremer, sentir dor
E quem gosta de sentir dor?
Quem espreme um furúnculo por vontade espontânea?
É necessário tomar a decisão de extirpar as bactérias
E se preparar pra dor do momento
O que nos encoraja a espremer
É a certeza que depois daquela dor
Basta colocar remédio na ferida
Que ela vai cicatrizando
O problema é deixar a ferida aberta
Possibilitando a entrada de novas bactérias
Inflamando e talvez até piorando a situação
Portanto, o melhor é sentir a dor
Da decisão tomada à contragosto
Pra depois sentir o gosto do alívio
E dizer: "Ufa, passou!"