segunda-feira, 9 de maio de 2011

Vida Dura de um Músico (Artigo)

Alô, Brasil!

Hoje decidi falar sobre algumas histórias reais que vivi em 17 anos de música. Certamente, você que é músico ou conhece alguma pessoa que trabalha com música, já deve ter vivido ou escutado coisas como estas que vou contar.

Se tem uma coisa que irrita um músico (e muitos não tem coragem de expressar isso) é quando o cidadão está tocando no bar e no meio da música uma mesa animada começa a cantar parabéns tão alto, às vezes com direito a batucada na mesa, como se o profissional da música não estivesse ali trabalhando e se esforçando para entreter as pessoas presentes. Sim, eu digo que tem vezes que nosso ofício é um esforço, apesar de amarmos o que fazemos, pois é impossível agradar a todos. Já aconteceu num lugar que eu estava tocando o seguinte: tratava-se de um local onde o estilo musical principal era o samba, mas eu abria para outras vertentes como o afrosamba, sambarock, samba de gafieira e tocava também um pouco de soul com uma roupagem de samba. Era um repertório animadíssimo pras pessoas dançarem. Eis que de repente chega um guardanapo com uma lista de músicas que continha "Canteiros", "Oceano", "Chão de Giz", "Espanhola" e etc... Ok, eu poderia até fazer versões "pra cima" dessas canções, mas pela listagem não era o objetivo da pessoa que eu fizesse músicas animadas. Não atendi o pedido, pois a casa estava cheia e grande parte dela estava envolvida na alegria do repertório. Simplesmente o cidadão mandou mais duas vezes os pedidos até que chegou um bilhete desaforado dizendo que o meu repertório estava chato (oi?) e que eu era um músico fraco e por isso ele estava indo embora e não ia pagar o couvert.
Certa vez, numa festa particular, eu estava tocando junto com Luciano Fogaça, percussionista que sempre me acompanha e aconteceu uma das piores situações de toda a minha carreira. Estávamos tocando um repertório dançante (inclusive PESSOAS DANÇAVAM!) e uma moça vinha toda hora pedir pra tocarmos músicas animadas (oi?) até que depois de insistentes pedidos, a queridona sacou um celular daqueles que toca música alta e no meio da nossa apresentação ela colocou FUNK no celular dela e as pessoas da mesa dela começaram a dançar até o chão, chão, chão... Imediatamente Luciano e eu paramos. Nem preciso dizer que ficou um clima tenso na festa...

Outra passagem inesquecível foi quando toquei em um famoso bar da Barra da Tijuca e uma cidadã insistentemente pedia pra que eu tocasse músicas do Diogo Nogueira. Ok, quando eu fui pro set de sambas, toquei duas músicas do repertório do Diogo, sucesso, missão cumprida... Ledo engano: a moça voltou e pediu, irritada, pra que eu tocasse Diogo Nogueira. Respondi que tinha acabado de tocar duas músicas do repertório dele e eis que a moça disse a seguinte pérola: "Ah, mas eu não gosto de Diogo Nogueira...". OI???????? Nessa mesma noite, no meio do set de sambas, logo após esse momento inesquecível, uma outra moçoila solta o seguinte grito: "TOCA SAMBA AÊ!". Eu olhei pra cara do Luciano e começamos a rir... Perguntei no microfone o que era samba e a risada foi geral... Eta, vida!!!!!

Ser músico, às vezes, é barra pesada, mas eu gosto!