sábado, 25 de julho de 2015

Terapêutica (Poema)

Penso naquelas mãos ansiolíticas
Que a cada toque me trazem calma
Penso na compressa quente daquela língua
No inchaço do meu desejo
Penso naquele cheiro que invade minhas vias nasais
E me descongestiona as emoções
Nada mais me dói
Quando beijo aquela boca analgésica
Diante disso, declaro, em definitivo:
Não existe dor na cama do meu amor!


quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Te Quero (Poema)

Sinto uma força pulsando no meu corpo quando penso em ti
É a vontade de te ver
De te abraçar
De te beijar
De te envolver nessa energia amorosa e libidinosa
Podemos realizar coisas além da compreensão humana
Quando digo: "te quero!"
Não são simplesmente duas palavras vazias
É, no mínimo, muita vontade
Só me deixe te tocar, tu irás entender...

sábado, 11 de outubro de 2014

Poema Danado e Ordinário - Para Fernando Pessoa (Poema)

Meu caro Fernando Pessoa
Permita-me contestar:
Todo poeta é um vidente
Tanto finge que nem sente
Sabe de nada, inocente
Prevê o futuro e acha que mente

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Necessidade... (Poema)

De serem o centro das atenções
De serem vitoriosos a qualquer custo
De serem profundos, apesar de serem rasos
De sempre terem razão em uma discussão
De sempre serem bajulados apesar de nunca elogiarem pessoa alguma
De sempre serem perdoados apesar de nunca perdoarem
De sempre serem compreendidos apesar de serem intransigentes
Necessidade das necessidades
Tudo é necessidade?
Fome, frio, sede, doenças
Pobreza, miséria, marginalidade
Solidão, depressão, abandono
E aí, me contem...
Vocês tem necessidade de quê?

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Evoé, Cascadura! (Crônica)

Cascadura, bairro onde nasci e fui criado. Era Novembro de 1977, no Hospital Brasil-Portugal (hoje o chiquérrimo Norte D'Or), ali em frente à estação de trem. Bairro que já teve importância na História do Brasil, pois é uma parte importante do Caminho Imperial (o que me faz ter maiores laços com o local, devido a presença maciça dos meus antepassados) e teve uma estação de bonde inaugurada com pompas por JK e Jango. Sim, não precisávamos dizer que Cascadura era perto de Madureira. Cascadura era Cascadura, e ponto! Por minha ligação com a Família Real, atribuí a mim mesmo o título de "Marquês de Cascadura". Bairro bem servido de sistema de transporte, ônibus pra tudo quanto é lugar da cidade do Rio e da Baixada, estação de trem onde os semi-diretos param, integração com o metrô e muita tranquilidade pra se morar, se formos comparar com outros bairros até mais abastados. Hoje, o bairro está completamente ofuscado pelo poderoso comércio de Madureira, que ainda tem como ponto alto o Samba (Portela, Império Serrano e Tradição) e o Jongo da Serrinha. 

Cascadura virou um bairro de passagem, esquecido pelos governantes, sem um real representante na Câmara e na ALERJ. Local com tanto potencial, perdendo sempre os investimentos públicos para os bairros mais "famosos" da região. 

Daqui saiu Fernanda Montenegro, ainda Arlete, e o grande jornalista Sérgio Cabral, pai do nosso ex-governador (que nunca mais volte ao Palácio Guanabara!). Bairro repleto de talentos artísticos que por falta de espaço não se desenvolvem, pouco se apresentam. Temos o lindo e abandonado Parque Orlando Leite, onde joguei muito futebol e vôlei, e até gravei um videoclipe! Outrora tivemos por aqui a Sede do Automóvel Club do Brasil e os extintos supermercados Casas da Banha e Disco. Temos duas praças e em uma delas, a Nossa Senhora do Amparo, há disputas ferrenhas de carteado, dominó e damas, além da Academia da Terceira Idade.

Os principais bancos estão aqui pertinho, Correios, cursos de idiomas, boas escolas e a Rua Silva Gomes, onde o Rio de Janeiro todo vem comprar produtos de eletrônica, além de sediar o respeitadíssimo Centro Espírita Bezerra de Menezes. Temos a Igreja Nossa Senhora do Amparo e Santa Maria Goretti e diversas denominações evangélicas e afrobrasileiras. Aqui tem espaço pra todo tipo de fé.

Não sei o motivo de tanta gente torcer o nariz quando eu digo que sou de Cascadura... Aqui é um lugar gostoso. Tem rock, samba, pagode, charm, MPB, forró e poesia. É um bairro que tenho orgulho de ser oriundo. Orgulho do subúrbio carioca! Evoé, Cascadura!!!!!!

Beijo nas crianças,
MB

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

O Verbo "Deletar" (Crônica)

Nestes tempos de Internet, passamos a conjugar um verbo novo: "deletar". Lembro que em tempos que se usava o MS-DOS, usávamos um comando chamado DEL, que vem da palavra DELETE, do vocabulário inglês, que ao traduzir para o português significa APAGAR, entre outros sinônimos. Acabamos trazendo para o nosso vocabulário essa palavra, que até certo momento era apenas um termo técnico para o mundo da computação. Com o surgimento das Redes Sociais, DELETAR deixou de ser apenas um termo técnico. Hoje nós DELETAMOS pessoas. Quem usa qualquer tipo de Rede Social, deve conjugar diariamente esse verbo.

Estava eu dando aquela olhada rotineira no Facebook e me peguei DELETANDO pessoas. Algumas porque escrevem tantas coisas desconstrutivas que os olhos não aguentam. Outras porque me são importantes e fizeram ou disseram coisas que me feriram. Sim, cheguei a conclusão que na grande maioria das vezes que DELETO alguém, é porque essa pessoa tem alguma importância e/ou relevância pra mim. Parto do princípio de que só me afetam palavras de quem me importa, de quem é de alguma forma relevante ao meu ver. Não costumo ficar chateado com pessoas que não tem significado pra mim, exceto quando elas mexem com coisas ou pessoas que tem importância na minha vida. Nesse caso eu DELETO e fecho todas as vias de contato para que não haja risco algum de interação com esse alguém. Uso o recurso de BLOQUEAR, que é um estágio mais elevado do ato de DELETAR. Há tanta gente que escreve coisas que não concordo, mas pelo fato de não me atingirem, esqueço logo após passar o olho. O cyberespaço é um "mundo" livre, como a vida fora do computador é. Inclusive alguns poucos vão até pra cadeia por usar essa liberdade sem noção. 

Conversando hoje com uma nova amiga, divagando sobre os tempos de hoje, concluí que estou em desacordo com a correria do mundo atual. Por vezes, por questão de sobrevivência, tenho que entrar nesse pique e correr junto com o planeta, mas eu não quero me adaptar a essa "pegada". Sou de outro tempo, creio que metade de mim é analógica e a outra é digital. Essas partes entram em conflito todos os dias e constatei que quando a parte analógica vence, me sinto mais confortável e feliz. Quando a digital vence, sinto falta daquele gosto mais consistente das coisas da vida. O tempero da rapidez é muito menos consistente do que o tempero da calma. Na culinária é assim, tudo tem seu tempo certo pra receita ser executada com perfeição. Se o cozinheiro pula ou adianta alguma etapa, o resultado vai ser comprometido. O prato pode ficar pronto, mas de repente não tão gostoso como seria se tudo fosse feito no seu devido tempo e intensidade.

Meu amigo Raul de Barros Jr. tem uma canção que o refrão diz: "A Terra está girando cada vez mais rápido". E é isso aí. Já estamos nos mecanizando, já estamos usando o mouse e o teclado, os tablets e celulares, para executar comandos digitais que excluem pessoas da nossa vida, muitas vezes por nada que justifique tal ato. Muitas vezes só por elas terem opiniões diferentes, gostos diferentes.

O futuro me preocupa. Me preocupa muito.
Vamos ver isso aí, meu povo... Quem tem olhos, leia... Quem tem ouvidos, ouça... Quem tem coração, sinta... QUEM TEM CORAGEM, AJA!

Beijo nas crianças,
MB

sexta-feira, 23 de agosto de 2013