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quarta-feira, 21 de maio de 2014

Evoé, Cascadura! (Crônica)

Cascadura, bairro onde nasci e fui criado. Era Novembro de 1977, no Hospital Brasil-Portugal (hoje o chiquérrimo Norte D'Or), ali em frente à estação de trem. Bairro que já teve importância na História do Brasil, pois é uma parte importante do Caminho Imperial (o que me faz ter maiores laços com o local, devido a presença maciça dos meus antepassados) e teve uma estação de bonde inaugurada com pompas por JK e Jango. Sim, não precisávamos dizer que Cascadura era perto de Madureira. Cascadura era Cascadura, e ponto! Por minha ligação com a Família Real, atribuí a mim mesmo o título de "Marquês de Cascadura". Bairro bem servido de sistema de transporte, ônibus pra tudo quanto é lugar da cidade do Rio e da Baixada, estação de trem onde os semi-diretos param, integração com o metrô e muita tranquilidade pra se morar, se formos comparar com outros bairros até mais abastados. Hoje, o bairro está completamente ofuscado pelo poderoso comércio de Madureira, que ainda tem como ponto alto o Samba (Portela, Império Serrano e Tradição) e o Jongo da Serrinha. 

Cascadura virou um bairro de passagem, esquecido pelos governantes, sem um real representante na Câmara e na ALERJ. Local com tanto potencial, perdendo sempre os investimentos públicos para os bairros mais "famosos" da região. 

Daqui saiu Fernanda Montenegro, ainda Arlete, e o grande jornalista Sérgio Cabral, pai do nosso ex-governador (que nunca mais volte ao Palácio Guanabara!). Bairro repleto de talentos artísticos que por falta de espaço não se desenvolvem, pouco se apresentam. Temos o lindo e abandonado Parque Orlando Leite, onde joguei muito futebol e vôlei, e até gravei um videoclipe! Outrora tivemos por aqui a Sede do Automóvel Club do Brasil e os extintos supermercados Casas da Banha e Disco. Temos duas praças e em uma delas, a Nossa Senhora do Amparo, há disputas ferrenhas de carteado, dominó e damas, além da Academia da Terceira Idade.

Os principais bancos estão aqui pertinho, Correios, cursos de idiomas, boas escolas e a Rua Silva Gomes, onde o Rio de Janeiro todo vem comprar produtos de eletrônica, além de sediar o respeitadíssimo Centro Espírita Bezerra de Menezes. Temos a Igreja Nossa Senhora do Amparo e Santa Maria Goretti e diversas denominações evangélicas e afrobrasileiras. Aqui tem espaço pra todo tipo de fé.

Não sei o motivo de tanta gente torcer o nariz quando eu digo que sou de Cascadura... Aqui é um lugar gostoso. Tem rock, samba, pagode, charm, MPB, forró e poesia. É um bairro que tenho orgulho de ser oriundo. Orgulho do subúrbio carioca! Evoé, Cascadura!!!!!!

Beijo nas crianças,
MB

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Solteirice (Crônica)

Hoje parei pra pensar na "solteirice". Daqui a pouco mais de um mês completarei dois anos de "solteirice". Quem diria que eu ficaria tanto tempo sem uma parceira? Nunca passou de seis meses o intervalo de um relacionamento pro outro, comigo. Eu não vou fazer aqui um discurso, que acho ridículo, por sinal, dizendo que é por dificuldade de achar alguém legal, bacana. Todos os dias pessoas casam e outras se separam. Todos os dias casais começam a namorar e outros terminam. Haja vista que isso acontece, há gente legal sim, pra todo mundo, independente da orientação sexual. Há gente que não é legal, isso é fato, mas o mundo ainda é "bão", Sebastião.

Cheguei a pensar que eu tinha virado um iceberg humano e jamais me interessaria em uma mulher de novo. Achei que estava imune, pois estava adorando a vida de solteiro. Ainda gosto, pra ser sincero. A vida chega e promove encontros dados como impossíveis e põe fogo nos nossos corações de uma hora pra outra, coisa que deixa muita gente perdida e confusa. Em certo fim de semana, meu coração foi atingido por um potente "lança-chamas" e fiquei "desbaratinado". Foi bom ter sido fulminado por tanto calor, ainda que não correspondido. Ocorreram ao longo desses últimos quase 24 meses uns "incêndios" no meu coração, porém, sempre apagados pelos "bombeiros" da não-reciprocidade ou simplesmente da falta de sorte e/ou condições para dar prosseguimento àquilo que começava. 

Apadrinhei, ao todo, dezessete casais que estão juntos até hoje (sou pé quente...). Esqueci de como é bom ter uma companheira pra partilhar o fim de semana, fazer uma viagem juntos. Mas a liberdade de poder ir e vir sem dar satisfação a alguém é bom também. Ambas as situações tem seus lados ruins. Ambas as situações podem se tornar um "pé no saco" quando nós não valorizamos a pessoa que está conosco e/ou também a NÓS MESMOS. Tudo, quando sai do equilíbrio, dos trilhos, desencadeia tristeza, solidão (mesmo que acompanhada, que é pior ainda), dependência e vício.

Mais uma vez fica "martelando" na minha cabeça: É IMPOSSÍVEL SER FELIZ SOZINHO? Sei lá...

Beijo nas crianças,
MB

quinta-feira, 14 de março de 2013

O Esquema Tático da Vida (Crônica)

A vida é uma caixa de surpresas. Pessoas surgem, pessoas vão... Pessoas marcam, sim ou não. Deixam aquele perfume nas mãos. A vida é caprichosa nas suas tramas. Ela é meticulosa, faz seus arranjos e promove inesperados encontros. Nem sempre no tempo dos humanos, mas sempre no tempo dela. Tolos somos nós que queremos ser senhores do tempo. Não, não é assim. Paciência é a chave e nem todos nós a temos ou a desenvolvemos. Clamamos paciência aos Céus e a resposta vem com situações que fazem que a exercitemos. Conversas esclarecem, mas o poder do toque é poderoso. Sem palavra alguma. Apenas toque. Apenas cheiro. Apenas os sentidos entrando em ação. Tudo muda e todas as palavras foram apenas um pequeno detalhe, porém esse detalhe nunca pode ser deixado de lado. As palavras têm sua função, desde que não sejam vazias de conteúdo e veracidade. É justamente a veracidade que faz a diferença. O toque é apenas um esbarrão ou coisa do tipo quando não há veracidade. Esse toque verdadeiro provoca o beijo mais gostoso que é aquele que não foi dado ainda, e sim esperado, procurado, caçado. O segundo melhor beijo é o resultado e a explosão de emoções contidas em olhares, pensamentos, divagações e dúvidas. É o resultado daquele beijo na mão, aquela pegada na cintura, aquele "chega pra cá, meu bem", aquela tentativa mal-sucedida do encontro dos lábios antes do momento certo. 

A vida tem um esquema tático que não está em nossas mãos. Ele simplesmente se desenrola durante o jogo e aplicado com afinco resulta em sucesso. Um olhar diz muita coisa aos que sabem lê-los. Uma palavra pode mudar o rumo da prosa. Um toque pode resultar num beijo. Um beijo pode mudar duas vidas e um abraço pode consolidar todo o processo e levar um encontro casual a patamares jamais imaginados. Podem ligar duas pessoas pra sempre ou pro infinito, posto que é chama, enquanto dure.

Necessário nos é compreender os sinais. Enviá-los e recebê-los. Esse é um dos jogos que a vida nos coloca em campo. Nunca envie um sinal sem receber o feedback, exceto quando o primeiro sinal é emitido por você.

Beijo nas crianças,
MB

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Beldades Sozinhas, Apesar de... (Crônica)

Ontem eu estava num restaurante delicioso na Ilha da Gigóia (procurem no Google) e tive uma daquelas visões que a gente agradece a Deus por ter feito uma mulher tão bela e por termos o privilégio de enxergá-las. Ela estava tomando banho de piscina em sua casa, que fica de frente pro restaurante e algo, além da beleza plástica da mulher, me chamou muito a atenção... Ela vinha várias vezes pro deck de sua residência sozinha e ficava com uma expressão triste, pensativa... Fiquei pensando até em acenar pra ela e convidá-la pro restaurante, mas não sei se a criatura é casada. Não vi aliança em nenhum dos dedos anelares dela, mas ela poderia morar junto com alguém, né? Gosto de correr riscos, mas uso Freios Varga pra não bater na parede ou no poste.

Entrei em profunda reflexão sobre o fato de eu conhecer mulheres LINDAS e SOLTEIRAS. Umas dizem que "tão na pista pra negócio", outras dizem que "são felizes consigo mesmas", outras dizem que "tem medo de se relacionar", entre outras coisas diferentes que dizem. Eu não vi naquela mulher do outro lado da Ilha felicidade alguma. E vou dizer detalhes do que vi: seios empinados, lindas coxas, barriga irretocável... Enfim, uma mulher que não pode reclamar com o espelho que está feia (mas deve reclamar, por supuesto, ao menos na TPM). Ser bonita e gostosa é o bastante pra ser feliz, mulheres? Me parece que a resposta é "não".

Eu observo que essas beldades que estão sozinhas, apesar de muitos homens estarem a cortejando, entram num processo de "ser seletiva" e quando isso beira o exagero, ou chega lá, a probabilidade delas ficarem sozinhas em definitivo é enorme. Se a mulher se basta por si própria, tudo certo, queridona, sucesso, boa sorte! Tá com grana pra manter tudo em cima até o fim da vida? Acha que encontrar um parceiro pra envelhecer junto é caretice? Fé em Deus e pé na tábua!

Pelo o que vejo, cedo ou tarde, apesar da grana, a casa cai... Vira maracujá de gaveta mesmo. Aí tem que arrumar namorado nos bailes de terceira idade, se sentir real necessidade, ou então fazer cadastro no Badoo, Par Perfeito, eHarmony, etc, e torcer pra sorte lhe sorrir.

Vejo que as beldades adoram andar em bando. Umas, mais saidinhas, se juntam pra "pegar" aqueles caras bombadões de academia com (grande maioria) de cérebro de pasta de amendoim. Outras ficam juntas pra se protegerem dos caras (de qualquer espécie), não assumem que, mesmo lindas, são fracassadas no amor.

Tem uns livros babacas que li dizendo que conquistar uma beldade é mais fácil do que uma mulher "comum" (whatever). É notório que muitas delas são carentes porque tem um bando de bobões que não têm coragem de assediá-las, por achar que ali é "missão impossível". Acaba que não chegam nelas e elas, sabendo que são lindas, não vão assediar um cidadão, pois elas são lindas e isso seria um desprestígio a si mesmas. 

Enfim, o tempo passa e o TEMPO VOA... Quem tiver ouvidos, ouça. Quem tiver cérebro, entenda.

Beijo nas crianças,
MB

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A Conquista (Crônica)

Vamos começar essa crônica sem lero-lero... Eu costumo ser muito atrapalhado quando entro em estado de apaixonamento. Tenho um cupido mais míope do que o Mister Magoo. Quando o "anjinho do amor" consegue me atingir, segundo o IBGE, as coisas não ficam bem pro meu lado. Ou a senhorita quer apenas ser minha amiga e/ou tem medo de relacionamentos. Cara, eu tive alguns relacionamentos na minha vida bem vivida, por sinal. Alguns posso dizer que foram muito bons enquanto duraram e outros foram traumatizantes. Entrei numa de ficar com medo de me relacionar. Cheguei a uma conclusão muito clara, pensando bem: essa coisa de "medo de se relacionar" é uma resposta que a gente dá quando não está a fim da pessoa e não quer ser "indelicado" ou coisa do tipo. Eu tenho medo de me relacionar, mas quando aparece essa mulher que me interessa, o medo todo se desfaz porque eu fiquei A FIM DELA. É assim, simples... Você fica a fim e os medos, bloqueios e tudo o mais vão embora. 

Quero me ater ao processo de CONQUISTA. Li diversos livros, ouvi diversas mulheres dando dicas e concluí que não adianta nenhuma teoria. Quando uma mulher não quer um cara não há artifício algum que mude o panorama. E mais: que graça tem conquistar uma mulher sendo alguém que você não é? Pô, eu aceito as pessoas como elas são. Se elas são de uma forma que não curto, não tento mudá-las, simplesmente me afasto. Não sou de ligar toda hora, não sou de mandar mensagens SMS direto, NÃO SOU GRUDENTO. Sou carinhoso, atencioso, amigo, preocupado com o bem estar, mas tomo um cuidado danado pra não ser chato, entrão e, de certa forma, "opressor".

Não quero usar mais estratégias para conquistar uma mulher. Eu já sei quem sou e mesmo assim ainda tenho muito o que aprender sobre mim. Quero apenas conquistar uma mulher do jeito que eu sou, sem livro de ajuda, sem métodos, sendo APENAS EU, afinal, se eu não mantiver a "linha" depois da conquista, esta relação estará fadada ao fracasso, pois as máscaras caem um dia. Sim, no processo da conquista é natural que mostremos nosso melhor lado e, por instinto, ocultamos o máximo possível os nossos defeitos. Está aí uma palavra-chave: NATURAL! Acho que uma verdadeira conquista se dá quando aquele que está tomando as iniciativas, geralmente numa situação adversa, ou seja, quando a outra pessoa não corresponde, age naturalmente sendo tão somente o que é.

Eu caí numa esparrela terrível de que mulher não gosta de "caras legais", que costumeiramente é denominado de "fofo", "querido", "amigão". Esta foi uma das maiores autossabotagens da minha vida. Por isso eu entrava sempre "em campo" com o time já derrotado. Lembrando dos meus relacionamentos que considerei bem sucedidos, eles começaram a partir do momento que eu estava sendo eu mesmo sem me preocupar com a impressão que ficaria na mulher pela qual me interessava. Estas tiveram o Marcio "nu e cru" e comigo tiveram longos relacionamentos.

Penso que a conquista da pessoa querida/desejada/amada deve ser pelos métodos que na verdade não existem. Penso que há mulheres que apreciam caras como eu, portanto não vou ficar procurando... Na minha cabeça vem esses dizeres: "não procura... deixa vir...". Que venha, então! Enquanto isso, escrevo e canto canções.

Beijo nas crianças,
MB

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Os Solteiros "Felizes" (Crônica)

Parto do princípio de que quem fala muito determinada coisa, na verdade, está inseguro nesta mesma coisa. Quem precisa expôr que está feliz em seu casamento, de forma exagerada, ao meu ver não está. Mas não é sobre os casados que estou escrevendo. Quero falar sobre os "solteiros felizes", aqueles que vociferam em redes sociais ou fora delas a "alegria" de estarem soltinhos "na pista". Na boa, o pouco que estudei sobre psicologia já é o bastante pra determinar que exageros de qualquer coisa que seja, em discursos, denota plena insegurança ou até o contrário daquilo do que se quer mostrar. Confesso que quando estou com excessivo bom humor quer dizer que, na verdade, estou triste. Sei que isso acontece com muita gente também.

Eu, sinceramente, acho graça quando pessoas ficam querendo convencer as outras de que estão felizes sozinhos. Eu não acho que a canção "Wave", que diz: "É impossível ser feliz sozinho" uma verdade absoluta. Acho que um solteiro pode ser feliz de verdade, mas quando se propaga demais essa "felicidade", começo a desconfiar bastante. Fico imaginando essas pessoas assistindo filmes românticos ou ouvindo canções românticas e deixando escapar um sorriso, um suspiro, uma lágrima... Eu sou desses, que suspira, sorri e chora. Concluo que, com isso, não estou feliz por estar solteiro, mas não estou triste também.

Vejo muita gente dizendo que as palavras tem poder, coisa e tal... Tem, de fato... Mas já passei anos falando "não amo mais a fulana" todos os dias e parecia que eu amava mais a "fulana" a cada dia. As palavras tem poder, mas o poder está na fé com que essas palavras são ditas. Se falar da boca pra fora, as consequências dessas palavras serão somente externas. Se você diz: "Sou um infeliz", da boca pra fora, não muda muita coisa dentro de você, mas quem ouve pode querer se afastar ou ficar com pena de você, o que não é nada bom.

Se você é um solteiro feliz, experimente falar menos e SER. É sendo que você vai convencer. Falando, você pode convencer uns poucos. Parafraseando uma frase que eu ouvia na época que eu era ativo na Igreja Católica como músico missionário, "as palavras podem convencer pessoas, mas os atos e atitudes ARRASTAM pessoas". Vamos trocar o "FALAR" pelo "SER". Isso, sim, será convincente de fato.

Beijo nas crianças e juízo no carnaval, se vocês não quiserem beijar crianças daqui a nove meses,
MB

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Perdas e Danos (Crônica)

No dia 01 de Fevereiro, por volta de duas horas da manhã, perdi meu avô Pedro, a princípio, pro câncer. Digo "a princípio" porque ao conversar com meus pais, analisando a causa mortis, digo com precisão que não foi o câncer que levou meu avô. O relatório dado pelo Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro não foi claro em dizer a causa da morte. Foram muitas as possíveis causas. Não houve menção direta e objetiva ao câncer. Me pareceu que a equipe médica não sabe o que aconteceu.

A perda é recente, ainda dói demais a falta de vovô. Há nove meses ele deu entrada no HSE-RJ, fez uma cirurgia para a retirada do tumor. A cirurgia tinha sido bem sucedida, segundo os médicos responsáveis e meu avô foi para o pós-operatório para se recuperar. Num determinado dia, ele expeliu uma secreção (vômito) e minha mãe correu para chamar algum(a) enfermeiro(a) para proceder a sucção e ela não foi atendida prontamente, apesar de ter pessoal para fazer o procedimento em tempo hábil. Quando um dos profissionais foi fazer a sucção, a secreção já tinha ido toda para os pulmões de vovô, o que causou a necessidade de traqueostomia para que ele pudesse respirar. O resultado dessa NEGLIGÊNCIA levou meu avô para o CTI, local de onde ele saiu apenas uma vez, mas rapidamente retornou e passou longo tempo por lá antes de falecer.

Minha mãe e minha tia, únicas filhas vivas dele, iam todos os dias ao Hospital, viveram suas vidas em função dele. Mesmo com todo o cuidado na fiscalização dos serviços médicos, elas só tinham duas horas por dia pra realmente verificar o tratamento de vovô. Nas vezes que o visitei, parecia que ele estava sendo bem cuidado, estava lúcido e nos comunicávamos. A traqueostomia, durante um longo tempo, o impediu de falar e nossa comunicação era por leitura labial. O que me preocupava era a perda de peso rápida que meu avô sofreu. Por causa da traqueostomia, ele não podia deglutir, então sua alimentação (?) era feita através de sonda. Essa alimentação (?) se mostrou ineficiente, pois a cada dia meu avô parecia estar mais desnutrido.

A dor, o envolvimento emocional, por vezes cega o entendimento. Aqui vai o meu recado pras famílias que passam por situações semelhantes: Ao detectar erro médico, acionar imediatamente o hospital. Não fizemos isso na época devida. Estávamos todos movidos por uma imensa fé de que o quadro de vovô se revertesse. Minha mãe relatou algumas coisas que ela deveria ter produzido provas. Não vou entrar em muitos detalhes pro texto não ficar ainda mais longo. Vou me ater às duas últimas semanas de vida do meu avô.

Cerca de quatorze dias antes do falecimento dele, os médicos começaram a nos preparar para a morte dele, dizendo que tinham feito tudo o que estava ao seu alcance e que a partir daquele momento, "só a Misericórdia Divina", disse um médico teísta, coisa rara (ou não, sei lá, não estou acostumado a ouvir médicos falando de Deus). Minha mãe viu, nas visitas, ampolas de FUROSEMIDA perto do leito de vovô. Esta substância serve para um bocado de coisas, mas o mais conhecido efeito colateral dela é a BAIXA DA PRESSÃO ARTERIAL. Isso deveria ter sido fotografado à época, sem contar com algumas alterações no corpo de vovô, que vou me abster de relatar. Fotos devem ser tiradas, a fiscalização tem que ser feita com afinco, principalmente em se tratando de SAÚDE PÚBLICA.

Decidimos não processar, decidimos "deixar pra lá", até porque não temos provas cabais de nada e mesmo as tendo, não trariam meu avô de volta. Se ganhássemos dinheiro, seria muito mal recebido por nós. Não somos uma família de gananciosos.

Na minha opinião, meu avô morreu por erro médico, negligência total. Digo que é uma opinião, pois não posso afirmar precisamente que meu avô morreu praticamente assassinado. Não posso afirmar precisamente que as doses diárias de Furosemida foram matando meu avô aos poucos. Posso afirmar precisamente que meu avô morreu DESNUTRIDO, posso afirmar precisamente que meu avô morreu QUERENDO VIVER, de OLHOS ABERTOS, posso afirmar precisamente que meu avô morreu SEM SENTIR DOR (palavras do médico que anunciou o falecimento).

Famílias, muita atenção aos enfermos. Não deixem nada passar. Se errarem, processem na hora! Fazer isso depois que o seu ente querido falecer não o trará de volta. A saúde pública brasileira é LAMENTÁVEL, LASTIMÁVEL e VERGONHOSA.

Beijo nas crianças,
Beijo, vovô! A gente se encontra! Dá um beijo na vovó! Saudades!

MB

domingo, 27 de janeiro de 2013

Interessante (Crônica)

Nós, humanos, estamos sempre interessados em algo ou alguém. Há sempre um interesse. Fiquei pensando no significado da palavra "interessante" esses dias e concluí que tudo é interessante. A diferença é que depende da relação da pessoa com o ser ou coisa ou situação tem. Tem gente que acha livros de matemática interessantes, mas outras pessoas não acham. Essas que não acham matemática interessante podem achar história natural interessante e o pessoal da matemática discordar disso. Enfim, tudo é interessante pra alguém, parando pra pensar. Basta apenas despertar interesse para que alguma coisa, pessoa ou situação se torne interessante aos olhos de alguém, e sempre há interessados.


sábado, 19 de janeiro de 2013

Sutilezas Que Mudam Trajetórias (Crônica)

Já parou pra pensar naqueles momentos onde você mudou uma história por causa de um detalhe? Creio que já deva ter feito isso algumas vezes. É quando o "SE" aparece na qualidade de Conjunção Subordinativa Condicional. Normalmente esses momentos do "SE" são coisas sutis, por exemplo: 

Uma entrevista de emprego, o entrevistado vai indo bem até que uma palavra mal colocada faz com que ele perca a vaga. A vaga poderia ser dele SE não tivesse dito a palavra mal colocada.
Um rapaz paquerando uma moça, fazendo tudo certinho, até a hora que ele resolve "enfeitar demais o pavão" e a moça não gosta e se desinteressa. SE ele continuasse na mesma levada, o flerte levaria outros trajetos.

Por vezes, uma palavra, uma simples palavra pode mudar o rumo de uma conversa. Pode levá-la pra algo agradável ou desagradável. Até mesmo uma comunicação não-verbal pode mudar a trajetória de algo, como, por exemplo, duas pessoas conversando e uma delas transmite por linguagem corporal completo desinteresse na conversa, fato que abrevia o papo e ainda faz a outra pessoa se sentir mal depois. Também "fazer nada" pode mudar algo. Normalmente quando duas pessoas se relacionam e uma delas simplesmente some, desaparece. A pessoa, depois de tempos, reaparece e encontra indiferença no outro indivíduo. Alguns seres tem a pachorra de reclamar dessa indiferença.

A cada momento tomamos decisões. Sinceramente não sei dizer quantas decisões por dia, em média, um ser humano toma. Sei dizer que são muitas. Nesse momento, decidi escrever uma crônica, mas podia estar jogando videogame, indo à praia, ao cinema, teatro ou dormindo... Tem tanta coisa que eu poderia estar fazendo AGORA, mas decidi parar pra escrever. Quando eu terminar, vou tomar outra decisão e dentro dessas decisões, vou tomando outras. São as sutilezas que mudam as trajetórias da nossa vida. Até os atos do cotidiano são decisões que temos que tomar. Por exemplo, um aluno que resolve matar aula, uma pessoa que resolve não ir trabalhar ou resolve ir trabalhar mesmo doente, uma pessoa que decide não dormir pra terminar o trabalho da faculdade, uma pessoa que decide não almoçar pra poder jantar... Todos tomam decisões o tempo inteiro e nem se dão conta. Essas decisões mudam os rumos que a vida dessa pessoa segue. Uma pessoa que decidiu não fazer aquele curso de inglês porque iria ficar sem tempo pra sair com os amigos ou qualquer outro tipo de lazer se depara anos depois com uma situação que SE ela soubesse falar o idioma inglês poderia ter uma bela ascensão profissional ou até pessoal, no campo afetivo, em grande parte dos casos.

Isso que escrevo não é para que as pessoas passem a viver sob a pressão de saberem que cada momento é uma decisão a ser tomada e que cada escolha leva a um resultado diferente. Na verdade, espero que sirva pra que aquele que venha a ler este texto aprenda a conviver naturalmente com o ato de tomar decisões. Que possamos viver e tomar boas decisões em um maior número de vezes!

Beijo nas crianças,
MB

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A Maçã do Topo da Árvore (Crônica)

Segundo Machado de Assis, as mulheres são como maçãs em árvores: as melhores estão no topo. É um texto utilizado por inúmeras mulheres como motivacional. Acho bonito sempre cuidarmos da autoestima, mantendo-a no topo das nossas árvores, mas, vamos combinar, tem gente que se exacerba achando que é a oitava maravilha do mundo, ou quase isso. 

Bem, eu vou concordar com o Machado na parte que ele diz que os homens "catam" as maçãs podres que estão no chão por serem mais fáceis de pegar. Porém, os homens não devem se enganar: há maçãs podres no andar de cima da macieira, há maçãs boas nos andares inferiores. O lance é enxergar bem e saber por qual desta fruta vale a pena se esforçar.

Eu já subi em várias macieiras até o topo atrás daquela maçã maravilhosa... Quando eu chegava lá, aquele pequeno galho se transformava em hélices e a fruta linda voava pra além da árvore. Poxa, eu sei escalar árvores, mas não sei voar! É uma parcela de mulheres que dificultam tanto que perde a graça. Ou o fazem pelo medo de se machucarem, como o Machado fala dos homens em seu texto, ou o fazem por diversão, pra alimentar seu ego e ter sempre um cãozinho correndo atrás.

A opinião deste que vos escreve é que quem se considera superior a outro ser humano já é inferior automaticamente, pois é um pensamento de uma extrema pobreza de espírito. É lindo manter-se motivado, desde que não seja direta ou indiretamente às custas dos outros.

O Príncipe Encantado (que, lamento dizer, não existe), falemos "dele": O perfil de um sujeito tipo o dessa fábula é de valentia, inteligência e esperteza (o cara anda de cavalo, otimiza seus esforços pra que eles sejam empregados nos momentos onde é necessário o esforço). O que vive pulando por aí atrás das fêmeas é o sapo e é impressionante como mulheres que se autodenominam "Maçãs do Topo da Árvore" têm predileção pelos anfíbios.

Beijo nas crianças,
MB 

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

O Lombo e a Lombada (Crônica)

Numa boa, caros leitores, tem marido que merece levar uma chinelada de havaiana de pau no meio da cara. Direi a vocês o porquê. A seguir:

Estava eu voltando para casa após confraternizar-me com minha família. Festejamos o Natal de uma forma muito bacana, de acordo com o que penso sobre esta data. Vou dirigindo vagarosamente durante o percurso até minha humilde residência (pois neste período de Festas de Final de Ano algumas pessoas bebem mais do que já bebem e, pasmem, DIRIGEM). Então, conduzo meu veículo prestando atenção por mim e pelos outros. 

Ao passar por uma pequena rua, me deparo com uma lombada. Ok, vamos cuidar da segurança dos pedestres e de desavisados que andam pela rua achando que são carros. Olho para o lado esquerdo e vejo uma mulher de costas para a rua, portadora de um "senhor" LOMBO. Não tinha como eu passar rápido e eu olhei mesmo porque era um derrière (traseiro, em francês) muito belo. De fato, não pisei fundo no acelerador e contemplei um pouco mais aquele bumbum que estava dentro de uma bermuda muito curta. Após meu carro se distanciar mais um pouco, vi pelo retrovisor que um cidadão estava de pé, aos berros, gesticulando. Parei, abri a porta do carro, pois meu vidro está com problemas, e bradei em alto em bom som estas palavras ao distinto cavalheiro:

"MEU CAMARADA, SUA MULHER TEM UMA BELA BUNDA E ESTÁ DE COSTAS PARA A RUA EM FRENTE A UMA LOMBADA, E AINDA COM UMA BERMUDA CURTA! QUALQUER UM VAI OLHAR E QUEM GOSTA, COMO EU, VAI OLHAR MAIS UM POUCO. VÁ RECLAMAR COM SUA MULHER!"

Fechei a porta do carro e não dei direito de resposta para o cidadão, até porque o cara era enorme e estou deveras enferrujado nas artes marciais. Em suma, eu ia ser coberto de porrada. Não, no Natal, não!

Beijo nas crianças e um Feliz Natal,
MB

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Música e Eu (Crônica)

Estava, dessa vez, determinado a deixar a música. Fazendo planos pra seguir a profissão que deixei (hoje chamada de Profissional de TI) ou seguir uma nova profissão, iniciando em 2013 uma nova faculdade pra concorrer no mercado ali perto dos meus 40 anos, sem nenhuma experiência anterior. Sabe, chega uma hora na vida que uma canção da minha época de Igreja dizia: "Não dá mais pra voltar, o barco está em alto-mar". Só de pensar em deixar a música, eu começo a sentir cada batida do meu coração doer. Cada pulsação é pura dor, é como se estivessem batendo com havaiana de pau no meu peito. E então começo a ouvir tudo aquilo que eu ouvia quando tinha 8 anos... Voltei ao início pra entender a caminhada toda e descobrir onde eu me desvirtuei. Tudo indicava que eu ia acontecer em breve. Gravei um disco de extrema qualidade, faço a minha arte com verdade e respeito. De repente, tudo "estabacou" e perdi o Norte. Os mais íntimos sabem dos detalhes.

Revisitando tudo o que tenho nos meus arquivos musicais, vi o quanto me abasteci, do que me abasteci e comparei com o que produzi. É bem de acordo, me considero coerente com minhas raízes e com o que faço. Há um certo idealismo, mas a maioria dos artistas dos quais sou fã foram resistentes e, até de certa forma, antagônicos com o que a mídia da época pregava... A mídia, sempre a mídia... Nas mãos de uns poucos. Eu acho a música uma arte tão ampla que não entra na minha cabeça pessoas quererem monopolizá-la e com isso idiotizá-la. O povo não escolhe mais o que toca. É o "investimento" que escolhe o que toca. Músicas com refrões que contêm onomatopeias e até uma simples vogal são a fonte da riqueza de uns poucos. Ok, não quero que essas pessoas parem de ganhar dinheiro. Só quero poder sobreviver com dignidade da minha arte. Não sinto necessidade de mansões, helicópteros, carros. Minha necessidade é apenas de dignidade. Só isso. Já não tiro férias há 7 anos até aqui, mas isso pra mim não doi. Doi é por vezes não ter grana pra me deslocar de casa pra um pequeno show ou grana pra fazer um lanche pós-show porque aquela (pouca) grana que acabei de ganhar já tem destino certo. Doi é receber ligações dos credores e eu não ter resposta pra nenhuma proposta de renegociação com eles. O que eu devo, no geral, tem artista que ganha em um show apenas. E eu teria que fazer uns 30 pra alcançar metade desses lucros.

Hoje tive uma overdose de música na minha vida e vi que somos feitos um pro outro mesmo. Como o barco está em alto-mar, realmente não dá mais pra voltar e então o que me resta é lutar, resistir, persistir... Me resta acreditar que um dia entenderão minha canção, meu canto. Enquanto isso, simplesmente canto onde a música me levar. Quando ela achar que estou pronto pra outro patamar, estarei vigilante para que nenhuma oportunidade seja perdida, pois o mundo artístico, meus caros, é um mundo de muitas poucas oportunidades. 

Ainda tenho forças, obstinação, determinação. Então utilizá-las-ei a favor de mim. É preciso um bocado de "egoismo" e "vaidade", mas não pode passar da medida, senão vira arrogância e a sarjeta é logo ali pros arrogantes.

Não tenho outra alternativa: a Música me escolheu e eu aceitei o desafio. Não vou fugir, até porque essa opção não existe pra mim. É enfrentar ou sucumbir. Então enfrentarei.

Beijo nas crianças,
MB

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Solitude e Solidão (Crônica)

Ando conversando com muita gente sobre essa coisa de "estar sozinho". Há pessoas que dizem gostar de ficarem sozinhos, no seu mundo. Sou desses. Esse blog, por exemplo, é parte do meu mundo particular. Escrevo o que bem entendo sem me preocupar com a reação alheia. Confundi durante muito tempo da minha vida SOLITUDE com SOLIDÃO. Muita gente confunde, alguns acham que são rigorosamente a mesma coisa. Não são! Solitude é, basicamente, aquele estado de isolamento voluntário e a solidão não é um estado voluntário. Quem diz que optou pela solidão, não compreende o significado dela. Eu vivo as duas coisas, depende do dia, depende do meu "astral". Solidão é uma coisa ruim, muito ruim. Imagina alguém no meio de uma multidão, de pessoas conhecidas, se sentindo só? Isso é triste demais, é a solidão em seu estado mais doloroso. Vivo isso com alguma frequência. Já a solitude, é a opção de ficar só, de se isolar e, principalmente, não ficar triste por isso. Não há tristeza na solitude. 

Gosto, particularmente, de ir sozinho ao cinema. Não saio triste dessas sessões, não fico deprimido quando vejo os casais, quando vejo as pessoas acompanhadas. Isso é solitude. Não gosto de ir a lugares onde conheço boa parte das pessoas presentes e me sinto só, fico triste quando isso acontece. Isso é solidão.

Deixo a pergunta pra vocês, leitores: aqueles entre vocês que dizem gostar de ficar sozinhos, estão no estado de solidão ou solitude? Se a resposta for solidão, recomendo que levantem a poeira e saiam dessa. Se é solitude, bacana, curtam muito a própria presença, mas não é bom, ainda que o mundo esteja cada vez mais fútil e falso, o ser humano ficar só o tempo todo. Nós somos seres sociais. Temos que pensar na fábula dos porcos-espinhos, que num dia de frio uns ficaram separados porque caso se aquecessem, iriam se machucar com os espinhos. Estes todos morreram de frio. Os que resolveram se aquecer entre si, acabaram se machucando com os espinhos dos outros, mas sobreviveram. Sei que essa história é um clichê danado, coisa de livreto de autoajuda, mas é um raciocínio lógico. Alguns clichês são verdades irrefutáveis.

É assim, por hoje, texto curtinho. Vou seguir pensativo no assunto.

Beijo nas crianças,
Marcio Bragança

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O Amigão (Crônica)

Quem aqui, de ambos os sexos, já não foi "o amigão"? Na minha vida isso sempre foi algo muito frequente. Na verdade, É MUITO FREQUENTE! Sabe, eu tenho muitas amigas e com a grande maioria delas a relação foi (e é) de tão somente amizade. Sim, eu acredito na amizade pura entre homem e mulher, pois vivo isso tão intensamente que seria o cúmulo do ceticismo não acreditar. Já aconteceu algumas vezes de eu me interessar "além da amizade" em algumas amigas, mas sempre vem em seguida aquele texto: "Você é tudo que uma mulher gostaria de ter, é inteligente, atencioso, carinhoso, bonito (as que tem problemas de visão dizem isso...), interessante e muito... AMIGO! Não vamos estragar nossa amizade!"

Acho que vou ser muito sincero nesta crônica como jamais fui, e talvez com isso perder o pouco de respeitabilidade que tenho como artista das palavras. Muitos escritores fazem, muitas vezes, personagens de si próprios. Eu não, eu me exponho, o que é considerado pelos meus amigos um grande erro. Eu tento escrever que "o mundo é bão, Sebastião", mas o texto sempre fica piegas e comum. Fica ruim mesmo e pra publicar coisa ruim, melhor ficar quieto, né?

Tenho conversado muito com minha psicóloga a respeito das relações interpessoais de todos os tipos, mas ela detectou o problema na vida amorosa e cheguei a conclusão de uma coisa: meus vários relacionamentos não deram certo e muita gente culpa os "ex". Me perguntei o seguinte: qual o elemento comum em todos os meus relacionamentos passados? A resposta é simples: EU. Eu sou o elemento comum! Sendo assim, concluí que o problema está em mim e se quero ser bem sucedido no campo amoroso, tenho que descobrir qual é esse problema e solucioná-lo.

Voltando ao cerne da questão, vi que algo tem a ver com esse meu lado "amigão". Não sei o que transmito. Só sei que não é algo que atrai as mulheres no "sentido bíblico". Elas gostam de ficar perto de mim, mas não se atraem. Acho engraçado, pois enchem-me de elogios... Sinceramente, penso que dizem isso pra eu não ficar triste, pois sabem que sou bipolar, coisa e tal... Ser o "amigão" é legal até a página 17. Quando vira pra 18, minha gente, quando o cara se apaixona ou simplesmente tem um interesse a mais, o que é perfeitamente normal entre pessoas que comungam dos mesmos interesses "sexuais". Porém, tem gente que acha "a morte" quando o amigo ou amiga se interessa fora do sentido "fraterno". Não sabem lidar com isso e acabam com a amizade para preservá-la. OI? É isso mesmo? Vamos acabar com a amizade para preservá-la? Sim, eu já ouvi esse absurdo mais de uma vez.

Resolvi assumir de vez o posto de "amigão", falta aceitá-lo de todo o coração, assim, ninguém se machuca mais. O lado bom é que as amizades costumam durar pra sempre. Portanto, não é de todo mal ser "o amigão".

Beijo nas crianças,
MB

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Mulher Gostosa (Crônica)

Hoje, um colega me abordou e me apontou uma mulher e disse: "Pô, Marcio, ela é muito gostosa, né?". Eu respondi: "De fato, ela é, mas vacilou feio comigo, me desrespeitou, então, poderia ser a Miss Universo e ainda assim não teria o menor encanto pra mim". Ele ficou me olhando como se eu tivesse deixado de gostar de mulher. Nem quis dar explicação alguma pra ele, fala sério!

Vim dirigindo pra casa pensando no assunto e no conceito de "Mulher Gostosa". Sou, assim, tipo Martinho da Vila: "Já tive mulheres de todas as cores...", inclusive gostosas, inclusive capa de revista de mulheres nuas. Eu, sinceramente, gosto de ver uma mulher bem cuidada, com belas curvas, etc e tal. Porém, meu conceito sobre "Mulher Gostosa" é diferente do comum, pelo o que concluí na minha reflexão durante minha volta pra casa. Eu defini em uma frase o meu conceito: MULHER GOSTOSA É AQUELA QUE TORNA A MINHA VIDA MAIS GOSTOSA. 

Sim, de fato, pegar numa pele macia, num corpo bem delineado, é bom pra exercitar o sentido do tato. É bom pra exercitar as funções motoras. Aquele cheiro gostoso de mulher bem cuidada faz com que nós, homens, percamos a cabeça. Mas, taí uma coisa que me deixa contrariado: por que perdemos a cabeça com isso, somente? Permitam-me explicar a questão. Eu já namorei "gostosas" que tornaram minha vida um pandemônio ou simplesmente um tédio, pois muitas das "gostosas" esquecem de malhar o cérebro, de fazer uma lipoaspiração de futilidades e implantes de conhecimento e cultura. 

Aquela pele de pêssego um dia vai virar maracujá de gaveta, cedo ou tarde! O tempo não faz barganha com o dinheiro. Chega um momento que a grana não consegue mais pagar a propina pro tempo e aí cai tudo. E depois disso, o que a "gostosa" vai ter a oferecer? Chega uma hora que os implantes de "sei lá o que" acabam que deformando a mulher, transformando-a em uma coisa meio "extraterrestre". É tanto esticamento de pele que um dia pode simplesmente arrebentar. Rostos ocidentais com aqueles olhos puxados que só ficam bem nas orientais, porque é NATURAL. Aquelas bocas carnudas que só ficam bem na Angelina Jolie e na Cláudia Raia.

Eu fico assustado com a arrogância de certas mulheres, achando que pelo fato da natureza ter sido generosa com elas, se sentirem no direito de agir com total falta de educação e respeito com os homens. Eu já paguei muito o pato por aturar essas atitudes a troco de nada por causa de uns babacas que se desmontam todos por causa de uma mulher "gostosa". Elas acabam achando que todo homem é babão e fazem umas coisas que dá vontade de mandar para um lugar muito feio. Até uma certa idade eu era um babão porque achava que satisfazer os caprichos delas as trariam pra mim. Ledo engano! Só me faziam gastar a grana que sempre ganhei com muito esmero para financiar suas diversões e, em algumas vezes, elas me "presenteavam" com seus belos corpos numa noite de sexo (em sua absoluta maioria, de péssima qualidade). Presente de grego, né? E pagava motel caro pra uma noite de marasmo e frescuras.

Enfim, acho que agora, depois de quase trinta e cinco anos muito bem vividos, estou aprendendo a diferenciar as "gostosas" conforme a convenção geral e as "gostosas" de acordo com o meu padrão. Aprendi que é bom estar perto de mulheres gostosas e não necessariamente ter qualquer tipo de relação física com elas, pois a fase do desespero passou e agora pra passar na minha catraca, tem que ter um passaporte carimbado e esse carimbo necessita de alguns critérios para ser conseguido. Não sou o Brad Pitt, George Clooney, Vin Diesel e outros caras que as mulheres dizem ser "sonhos de consumo", mas eu sou um cara que torna a vida de uma mulher bem mais gostosa. Sei do meu valor e meu passe é caro, não é qualquer "clube" que pode me "contratar". 

Sei que assim como o tempo é cruel com as mulheres, é cruel com os homens. Por isso, mais do que nunca, cuido do meu corpo, mente e espírito, pois quero ter vitalidade, conteúdo e consistência para tornar a vida de uma mulher mais gostosa.

Beijo nas crianças,
MB

domingo, 5 de agosto de 2012

Patinho Feio (Crônica)

A fábula do Patinho Feio sempre fez parte da minha vida. Felizmente, quando criança, consegui entender o contexto dessa história, o que me ajudou a tomar decisões muito importantes. Não existe "festa estranha com gente esquisita". Quando você vai em festas onde se sente deslocado, a culpa não é da festa, não é das pessoas, não é sua. Simplesmente você não faz parte daquele grupo e isso seria resolvido se você conhecesse umas duas ou três pessoas e com isso iria se alastrando a rede de contatos e pronto: tudo deixa de ser estranho e esquisito. Por outro lado, tem a questão do astral... Você nem sempre está na mesma "vibe" da festa e não se culpe por isso. Procure entrar na "vibe" ou vá embora. A fábula do Patinho Feio dá esse entendimento, e ainda se pode esmiuçar muito mais sobre o assunto. 

O Patinho Feio não é feio. Ele é diferente e a fábula mostra a insensibilidade e intolerância de algumas pessoas com gente diferente. Porém, quando esse ser "diferente" está junto dos seus iguais, essas mesmas pessoas intolerantes e insensíveis conseguem até ver beleza no "ser diferente".

Isso acontece comigo sempre. Sou cantor e toco alguns instrumentos musicais. Noto que quando estou executando o ofício de músico, causo certo encantamento, todos me olham e mulheres usam sua imaginação e às vezes me contam o que pensam, quando desço do palco. Sei que isso não é por causa dos meus belos olhos castanhos. Tenho a consciência de que é o encantamento do meu ofício. Porém, quando passo na rua vestido da mesma forma que eu estava no palco, ninguém me olha, ninguém me aborda. Fico triste com isso não, sei que é assim mesmo. Quando escrevo, também sou especial, as pessoas reconhecem e isso me deixa feliz. Quando estou no meio de poetas, literatos, escritores, não sinto nenhuma estranheza. Me sinto em casa. Se me colocarem no meio de um grupo de funkeiros, vou me sentir deslocado, pois não é minha área de interesse. Que fique claro, não há "grupo" melhor que o outro. Quem diferencia "tribos" qualitativamente, ao meu ver, com todo o respeito, é burro!

Namorei uma moça, certo tempo, que adora comédias românticas, fã declarada de Hugh Grant. Eu não gosto muito desse gênero, mas não deixei de assistir Bridget Jones com ela. No entanto, ela era democrática e assistia Bruce Lee e Van Damme comigo... Hahahaha. 

Se o mundo soubesse, de fato, o que é HARMONIA, as diferenças seriam respeitadas e ninguém mais seria rotulado de estranho e esquisito. Ninguém agrediria física e verbalmente seres diferentes. Não haveria guerras. Seria um mundo ideal para John Lennon. Imagine all the people living your life in peace!

Beijo nas crianças,
Marcio Bragança

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Ainda Tentando Entender as Mulheres (Crônica)

Sigo numa interminável saga de entender um pouco sobre as mulheres. Fala-se muito que pessoa alguma nunca as entenderá, mas eu tenho um quê de utopia dentro de mim. Certa data, sentado à mesa de um bar com alguns amigos, todos homens, começamos a falar sobre mulheres, algo trivial. Não sei se era a lua, o chopp ou seja lá o que for, que fez com que contássemos nossas histórias uns aos outros e no final concluirmos que estes seres maravilhosos, que são as mulheres, estão longe do nosso entendimento. Ainda estamos engatinhando sobre a psiquê feminina. 

Um dos participantes contou sua história com uma mulher de meia idade, super bem resolvida, independente, bela e interessante, segundo as descrições dele. Ambos se conheceram de forma casual e encantaram-se um pelo outro assim "de cara". No entanto, houve um espaçamento de tempo consideravelmente grande para que eles tivessem o primeiro encontro. Quando aconteceu, ele foi visitar o apartamento dela e conversaram bastante e no final acabaram dormindo juntos. Durante a semana ele tentou contato com ela, sem sucesso. Exata uma semana depois, ela o atendeu e eles marcaram novo encontro. Chegado o dia do encontro, ele enviou um SMS pra ela pra dizer que estava a caminho, mas eis que surge uma resposta inesperada dela pedindo pra que ele voltasse pois não se sentia bem e precisava descansar pra acordar cedo. Durante a semana ele tentou contato de novo até conseguir: ela responde por SMS que não queria mais vê-lo porque ele é bom demais, envolvente, apaixonante e outros adjetivos fabulosos. Oi? Deixa eu ver se entendi: ela deu um pé na bunda do cara porque ele fez tudo certo? E a risada na mesa foi geral...

Outra história que rendeu risadas foi a da mulher casada que saiu com um dos participantes da resenha. Ela era evangélica (e humana, passível de erros, ok). Os dois se conheceram pelo chat do Terra.com há tempos e ele foi fazer um trabalho musical na cidade dela e ambos se encontraram. Ela foi ao show que ele estava tocando e depois foram pro motel jogar xadrez... Ok, vocês sabem o que eles foram fazer... Hahahaha. Pulando todos os detalhes sórdidos desta noite de volúpia e prazer, ela foi levar o cidadão pra onde ele estava hospedado e colocou um CD de música gospel e começou a tentar "converter" o cara. O músico ficou com uma ressaca moral danada e perguntou como ela conseguia falar da Bíblia normalmente depois de ter cometido adultério... Ela disse que Deus perdoa e que o marido não dá conta... Risadas, risadas...

A história mais preocupante na mesa foi a da mulher que queria casar com o cara depois de dormirem juntos uma única vez. Isso dá medo. O cara correu e a mulher também correu... atrás do cara... Segundo o relato, foram uns cinco meses de perseguição até que ela foi vencida pelo cansaço. Todos nós que estávamos na conversa falamos sobre coisas muito idênticas a isso.

Definitivamente cheguei a conclusão que num primeiro encontro NUNCA se deve falar de casamento. Isso fatalmente bota alguém pra correr. Cheguei a conclusão que NUNCA vou entender as mulheres, mas que SEMPRE vou tentar. São seres maravilhosos e personalizados. As mulheres não são todas iguais, graças a Deus!

Beijo nas crianças,
MB

domingo, 15 de julho de 2012

Sucessos e Insucessos Sentimentais (Crônica)

Fico aqui lembrando de passagens da minha vida sentimental e dando uma repassada nos insucessos, pra tirar lições desses momentos. Eu gosto muito da palavra SUCESSO, mas os insucessos sempre trazem uma carga maior de ensinamentos, justamente pra gozarmos melhor dos momentos bem sucedidos.

O cerne da questão, nesse texto, é a dificuldade que as mulheres, em sua maioria, tem em aceitar uma negativa de um homem. Pergunto aqui se alguma mulher nunca duvidou da orientação/condição sexual de um homem depois de ser "dispensada" pelo mesmo. Se eu fosse pensar que toda mulher que me deu um "não" fosse lésbica, teria um bocado de lésbicas no mundo, porque o que já levei de "não" na cara não está no gibi! Já aconteceram duas coisas comigo na minha adolescência que me fazem rir hoje: Certa vez, "fiquei" com uma menina que morava na minha rua e fui extremamente respeitoso com ela... Beijei comportadamente, não passei a mão... No dia seguinte, virei motivo de piada pra vizinhança inteira pois a garota disse que eu era "fraco". A outra situação, foi quando eu disse não a uma garota da escola e ela espalhou que eu era gay pra todo mundo.

Quero invocar aqui o meu direito a dizer "não" pra uma mulher que não me despertou algo sem ter consequências que possam me afastar de uma mulher por quem eu sinta algo. Eu vivi uma vida inteira levando negativas das moças e nem por isso morri ou fiquei com raivinha delas.

Abaixo à sociedade que ordena que nós, machos, temos que dizer sim a todas as fêmeas porque nossa natureza tem que ser assim. Se todas as mulheres fossem iguais, legal, eu diria sim a todas, mas cada uma é única. Não são todas as que me encantam. Não são todas que eu quero conhecer melhor. Não são todas que quero beijar a boca. Não são todas que quero provocar orgasmos múltiplos na cama. Não, não são todas que me interessam. Essas, por quem não sinto coisa alguma, devem aceitar respeitosamente o fato de eu simplesmente não querer.

Beijo nas crianças,
Marcio Bragança

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Piriguetes (Crônica)

Alô, alô!

Sui Generis foi uma crônica inspirada num poema de Mano Melo. Esta crônica está sendo inspirada na minha crônica anterior. Posso até dizer que é uma continuação, talvez. Vamos lá...

PIRIGUETES... Há tantos significados desta palavra... Uma ruptura de opiniões entre as mulheres. Umas se orgulham em ser. As que não são, odeiam quem são, principalmente se uma delas dá em cima, interage virtualmente ou apenas chega perto de seus namorados ou coisa do tipo.

Vou falar do que as Piriguetes significam pra mim, com escracho, sem pudores e SINCERAMENTE. É uma espécie feminina que mancha a imagem da mulher. É o oposto da Amélia de Mário Lago e Ataulfo Alves. Estas são os extremos da mulher. Não curto "Amélias" na mesma proporção que não curto "Piriguetes". Com mulher, vou de 9 a 79. Não trabalho com os extremos. É gostoso ter uma mulher que sabe fazer aquela comida deliciosa pro marido quando ele chega do trabalho e é gostoso também ter aquela mulher que deixa o marido louco de tesão quando ele chega do trabalho. Porém, é gostoso demais ter uma mulher que saiba se dar o respeito. Não entendam isso com a mulher ser comportadinha, colocar roupas de muçulmana cobrindo o corpo todo (no Brasil, essa não é a cultura predominante). A mulher pode muito bem sair, beber, dançar, paquerar (se não for solteira, por sua conta e risco). A mulher pode fazer tudo isso, mas a vulgaridade das Piriguetes pode atrair até a mim, mas podem crer que se eu estiver com vontade e paciência pra aturar a falta de conteúdo cerebral delas (sim, não há Piriguete culta), posso até levar pra cama e, pra mim, tudo ficar por aquela noite. Mas como vivemos num país Sui Generis (alô, Mano Melo!), algumas delas se apaixonam. Véi, na boa, imagina uma Piriguete no teu pé... Recorro a Francisco Milani: "Pedra 90, só enfrenta quem aguenta".

São até divertidas numa night, pois normalmente são animadíssimas, dançam tudo que se toca e pra homens com cérebro de amendoim, são perfeitas companhias. Porém, te mete a casar com uma... A cabeça não vai ter espaço, meu jovem, pra tanto chifre.

Normalmente, as Piriguetes tem dois tipos: as que esculpem o corpo nas academias e as que esquecem academias e dietas e apelam pras roupas curtinhas e comportamento erotizado pra atrair caras que só vão querer comê-las. O segundo tipo de piriguete normalmente é o que se apaixona, cobra fidelidade e quer até namorar. Porém, como tem a autoestima abaixo da sola do pé, dá mole pro primeiro "cueca" que balança o pinto. Faz tudo isso na tua frente, mané, mas ai de você se disser que ela dá mole pra outros... A menina chora, fica ofendida e te chama de injusto e fala que o mundo tem que ser conforme suas regras. Você, MANÉ, se comove e pede até desculpas. Se faz isso pela primeira vez, otário, babou! Ela vai passar até a sentir ciumes de você, e dependendo da personalidade, pode até criar barraco. As Piriguetes do primeiro tipo, são profissionais e também saem com manés, só que estes tem que ser marombados e com grana pra bancar os caprichos delas. São prostitutas que cobram em outra moeda. Algumas poucas se apaixonam. Mas Piriguete NUNCA se redime, meu amigo. Estas são pra comer e correr. Seja um Houdini, um David Copperfield ao "pegar" uma Piriguete.

Enquanto isso, as mulheres de verdade estão aí, sozinhas ou apelando pra imbecis que não as fazem felizes. Apenas ocupam espaço, pois algumas tem a ilusão de que não podem ser felizes sozinhas e escolher com mais critério. Sorte das mulheres de verdade que encontram um bom homem. Mantenha-os! Não façam a besteira de botar o cara pra fora da sua vida pra trocá-lo por um cafajeste e/ou troglodita.

Pra finalizar, a pergunta que não quer calar:
POR QUE PIRIGUETE NÃO SENTE FRIO?

Beijo nas Crianças (não deixem elas lerem isso, por enquanto... rs),
MB

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Sui Generis (Crônica)

Mano Melo acertou no poema: Vivemos num país Sui Generis. Quero me ater apenas a poucos argumentos meus que corroboram com Mano. Sabem todos vocês que a minha profissão-mor (a música, pra quem não sabe...rs) me dá acesso a pessoas de todas as classes e como bom ouvinte que sou, coleciono histórias que em tempo oportuno estarão num livro ou em vários, pois são muitas mesmo.

Num papo altamente nada a ver com o assunto, houve aquela brusca mudança pro tema PIRIGUETES. Essa expressão, recém-incorporada ao nosso (cada vez mais) vasto vocabulário quer dizer tanta coisa que na verdade eu nem sei dizer o que é. Mas uma coisa eu notei: as piriguetes adoram chamar as outras piriguetes de... PIRIGUETES! Impressionante, parece que uma vê a outra como um espelho e ficam alimentando o seu "piriguetismo" chamando a outra por esse nome que me lembra PERIGO. Eu acho que esse tipo de moça equivale ao que antigamente se chamavam de "chave de cadeia". Ou seja, tô fora, tô dentro, tô fora... E só.

Neste país Sui Generis, meu querido Mano Melo, além das prostitutas, as piriguetes também se apaixonam. E o pior, elas se apaixonam, cobram fidelidade, atenção. São ciumentas, cara! Aqui tem piriguete carente, meu irmão! Essas são as piores, porque se apaixonam rápido e depois envolvem o cara em jogos sexuais (presenciais ou não) e depois que o babaca fica enfeitiçado, elas se acham as donas do pedaço e vão atrás de novas presas. São quase serial-killers, minha gente! Elas tem um quê de vampirismo... Vão sugando a energia do OTÁRIO (sim, cair nas garras de uma piriguete é muita otarice) e quando o mané repara, tá todo dominado. Quando ele diz pra moça que acha que ela faz esse jogo com outros homens, nossa, a mina pira! Fica ofendida, tadinha... "Logo eu? É isso que você pensa de mim? Acha que eu fico dando mole pra qualquer um?". Um cara que cai nas garras de uma piriguete é pior do que qualquer um. Ele é a Série B do "qualquer um" (Ão, ão, ão, segunda divisão!). É um lixo que não tem autoestima. Mas ser lixo não é demérito, afinal o cara pode ser lixo reciclável e virar algo útil nas mãos certas.

Eu gostaria apenas que meus congêneres se valorizassem um pouco mais, sabe. E também valorizassem aquelas mulheres que fazem por merecer. As piriguetes são uma pequena porção desse mundo feminino maravilhoso, só que nós somos bobos e nos impressionamos facilmente com saias curtas e vestidos de onça. Nos deliciamos com decotes generosos e seios com certa fartura. Que bom, somos homens e é natural a gente gostar de uma fêmea ultra gostosa, dadivosa e muitas "osas". Porém, pára pra pensar, camarada: você acha que realmente vai viver uma vida inteira pegando piriguetes? Vou dizer uma coisa que convido qualquer um a pesquisar: prostituta custa menos do que piriguete. A prostituta, você vai lá, paga o programa e o motel, PÁ e TCHAU. A piriguete não... Você leva pra jantar, você gasta com uns bibelôs e depois, se você não for muito Zé Ruela, vai conseguir arrastar a espécime pra um motel, vai pagar tudo e vai levar em casa... No seu carro, ela vai pedir pra colocar funk ou sertanejo universitário no seu rádio, porque a MPB que você ama é música chata pra uma piriguete. Elas gostam de se sentir numa boate, numa micareta, mesmo dentro de um mísero carro. Normalmente têm um português péssimo falado e "Deus me livre" escrito. Camarada, jura que é isso que você vai passar a vida toda querendo?

Enquanto isso as MULHERES, com razão, vão reclamando que falta homem. E falta mesmo, estatisticamente. Mas a reclamação delas não tem muito a ver com a falta quantitativa, mas tem a ver com a falta qualitativa. Porém, tem umas vacilonas que preferem ficar com a versão masculina das piriguetes... Resultado: um monte de gente bacana solitária, carente, presas fáceis para espécimes humanas que deveriam ter sido descartadas na fábrica, o que eu chamo de "ESPERMATOZÓIDES TRAPACEIROS", aqueles que não deveriam ter alcançado o óvulo.

Pois é, Mano Melo, estamos num país Sui Generis onde prostitutas e piriguetes se apaixonam. E ainda querem nos cobrar coerência, pô?

Beijo nas crianças,
MB