quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A Prateleira Mais Alta do Armário (Crônica)

Fui daquelas pessoas que se fizeram inacessíveis pras outras durante este ano de 2012. É um erro gravíssimo prender-se ao passado, remoer sentimentos que nunca mais serão correspondidos, culpas que nunca serão perdoadas. Porém o ser humano não é uma máquina onde podemos programar o que se deve sentir. Ficamos presos de forma masoquista a pessoas que nos querem mal porque a fizemos mal. É natural. Aprendi que não devo idealizar pessoa alguma, é um grande erro. Aprendi a respeitar o meu momento e o momento dos outros. Sorte daqueles que tiveram a chance de reparar seus erros. Nem sempre temos essa chance. 

Essa coisa de ficar se defendendo de novas decepções (tanto como vítima, quanto vilão) só leva a um estado de solidão muito doloroso. Ficar se colocando lá na última prateleira do armário pra que ninguém alcance é um erro. Quem faz isso não se permite viver, não se permite amar. Decepção faz parte, ela forja o aço e afia o corte. Decepção só mata quando deixamos isso acontecer.

Conversando com uma amiga, falávamos sobre como as pessoas em geral estão temerosas com a decepção, estão com medo de se envolver. Contei uma história de 2010, quando eu estava saindo com uma moça e ficamos pouco mais de um mês nos relacionando. Quando mencionei a palavra NAMORO, achando que estava sendo decente com ela, a moça simplesmente parou com toda aquela coisa bonita que estava acontecendo sob a justificativa de que se sentiu pressionada e de que as coisas tinham que acontecer naturalmente. As coisas estavam acontecendo naturalmente, mas devido ao tempo, sugeri que nos tornássemos namorados, achei que fosse um ato decente meu e foi o que acabou destruindo tudo.

Meu último relacionamento foi fatídico, fui covarde, menti, agredi verbalmente, fui estupidamente inadequado. Hoje, essa pessoa me odeia, quer meu mal e tem toda razão de sentir isso. Eu gostaria de reparar o erro. Eu gostaria de descer da prateleira mais alta do armário e mostrar o quanto me arrependi dos meus erros. Mas isso não será possível. Paciência.

O que resta é viver, me libertar dessa culpa que carrego e descer dessa prateleira e me tornar novamente acessível como sempre fui. Estou me esforçando pra ser uma pessoa melhor. Estou me esforçando pra acreditar na vida. Penso que podemos evoluir aqui no plano físico. 

Quem tem sonhos, tem vida. Eu tenho sonhos e vou resgatar minha vida.

Beijo nas crianças,
MB