sábado, 26 de maio de 2012

Twitter (Crônica)

"Começo a entender que o Twitter não é feito, em essência, para interação. As pessoas usam como um tablóide de si próprios". (Laércio Benitez)

Eu uso o Twitter há mais de 3 anos e nunca o entendi até essa frase do Laércio. Sou acostumado com o uso de redes sociais para interagir com as pessoas, desde o "finado" Orkut. Veio o Twitter e eu, tecnológico que sou, experimentei. Passei esse tempo todo sem entender como usá-lo para disseminar idéias, fazer contatos... Também, como usar 140 caracteres pra disseminar idéias? Logo eu, acostumado a escrever textos longos, com liberdade... Não curto muito essa coisa resumida e concisa do Twitter. Sinto que estou picotando meus pensamentos e fico com a impressão de que faltou escrever algo. 

Experimentei a interação. Experimentei conhecer pessoas. Olha, foi ruim o resultado. Tirando aqueles que eu já conhecia, poucos se acrescentaram aos meus contatos por lá. É tudo muito estranho. É tudo muito rápido. É tudo muito superficial. Nessas experiências de interação, notei que há "clubinhos", "fraternidades", bem nos moldes de faculdades e high schools estadunidenses. Há aquela coisa de você se enquadrar pra ser aceito, bajular os mais populares e se bater de frente com os "líderes", todos ficam contra você, que toma um calhamaço de unfollows, que é como se você fosse excluído daquele grupo. Vejo um lance também meio "briga de gangs" onde os grupos que são adversários tentam se atingir com palavras vazias, fofocas e coisas bem dignas dos filmes adolescentes estadunidenses. 

As pessoas usam o Twitter pra publicar notícias sobre suas vidas, e normalmente dão uma "aumentada" pra transformar o cotidiano delas em algo interessante. Um simples ato de ir ao banheiro em algo épico. Bem como os tablóides fazem, mas essas pessoas fazem com elas mesmas. Exceção, claro, pros profissionais que usam o microblog pra divulgar seus trabalhos e idéias.

Recentemente aconteceu comigo um lance típico de tudo o que estou falando. Entrei no meio de um assunto com fins de interação e acabei saindo mal da história porque critiquei a atitude de uma moça que fez questão de dizer que tem namorado pra um monte de rapazes e me incluiu nessa lista. Achei medíocre a atitude da moça e critiquei isso com o rapaz que estava no assunto que entrei de gaiato e tínhamos um contato legal, porém como em filmes adolescentes americanos, ele se viu numa sinuca de bico. Se ele continuasse meu camarada, iria perder espaço naquele "clubinho". Optou em me responder mal pra ficar bem com os outros e eu, que prometi não mais ficar de lero-lero no Twitter, decidi bloqueá-lo e dizer que era uma pena um cara gente boa ficar puxando saco de pessoas que estão em busca de uma popularidade de mentira. Ele ficou chateado com o fato de ser bloqueado e fez coisas dignas de um adolescente de high school: passou a me denegrir. O mesmo cara que assistia minhas transmissões musicais online, que já foi me assistir tocar algumas vezes, que já me pediu dicas de violão e comprou o meu CD, começou a dizer que eu era um músico ruim, que comprou meu disco pra me fazer um favor, que eu era estrelinha e um biscoito de povilho achando que era um Bono. Vivendo e aprendendo a jogar, amigos... Fecho a crônica com mais uma frase do Laércio:

"Seja sincero e descubra quem são seus inimigos". (Laércio Benitez)

Beijo nas Crianças,
MB