quinta-feira, 31 de maio de 2012

Carência Afetiva (Crônica)

Olá a todos,

Quero falar de algo muito sério, assunto delicado de se abordar: a carência afetiva.
Antes de tudo, quero que você que está começando a ler esta crônica, dispa-se de todos os pré-conceitos e de qualquer pensamento de que isto é um texto autopiedoso. Prefiro que você pense que é um texto corajoso, audacioso e sincero. Sim, confesso que sou um dos milhões de pessoas nesse mundo cão que SOFREM de carência afetiva.

Eu tenho um livro pronto de histórias interessantes sobre coisas que fiz por causa do título do texto. Fiz muita coisa errada, leitores. A carência pode facilmente ser confundida com diversas coisas, como volubilidade, desvio de caráter e coisas do gênero. Porém, ela não pode ser somente confundida, ela pode ser transformada nessas coisas ruins que citei. Carência e Internet é uma dupla letal. Às vezes literalmente letal. Hoje em dia é fácil conhecermos pessoas através das redes sociais, até porque é uma de suas funções, concordam? Por isso se chama rede SOCIAL. Há um mundo de ilusões perigoso para os carentes, pois é fácil enganar e ser enganado. Eu já enganei e fui enganado. Fui vilão e vítima. Creio que quem se aventurou em casos virtuais tenha em sua memória momentos de derrota e vitória.

A carência é algo que considero repugnante. Muitos podem dizer que é algo normal, que é humano, mas não anula a sua repugnância. O carente é facilmente ludibriado, mas penso que na maioria das vezes a pessoa SE DEIXA LUDIBRIAR, consciente ou inconscientemente. O homem, que, pela sociedade machista, é o caçador, o garanhão, é o que mais permite que isso aconteça. Falo com a "autoridade" de quem já permitiu (e muito) coisas desse tipo acontecerem. Arruinei relacionamentos por causa dessa maldita carência, por causa desse maldito instinto caçador, por causa do maldito EGO. Sou multiartista, atuo em diversas "frentes" artísticas, tendo como principal a música. Sou cantor e instrumentista e isso já atrai algumas mulheres carentes que tem apenas um fetiche pelo homem do palco, e o cara não precisa ser bonito... Pouparei exemplos até porque pode soar que sinto inveja (pelamordeDeus, né?). Pensem num cara que, apesar de ter uma adolescência toda trabalhada no esporte (futebol e artes marciais), e por isso tinha um belo porte físico, nunca teve lá muito sucesso com as meninas. Explico: eu era diferente dos outros rapazes. Eu lia, eu me interessava por arte, principalmente a música e era um (acreditem!) NERD. Eu não sabia me aproximar das meninas, tinha vergonha, porque minhas conversas eram "chatas" pra elas. De repente, fui largando o esporte e me dedicando à música e o "patinho feio" virou um "cisne". As moças começaram a se interessar por mim exponencialmente e pensem num cara que era um fracasso com as moças, DO NADA, virar um sucesso. Eu tinha lá pros meus 16 anos, idade que eu comecei a cantar na noite, escondido dos meus colegas de Igreja, pois era pecado cantar na Igreja e no "mundo" ao mesmo tempo. Imaginem... Inexperiência... Hormônios... Empolgação... O instinto caçador tomando forma e o panaca virando esperto, o Dom Quixote virando Don Juan... Obviamente subiu à minha cabeça e por isso "bati cabeça" por algum tempo entre os longos namoros que tive nessa juventude. Depois tive dois anos que posso dizer que são IMPUBLICÁVEIS (ainda mais que tenho filhos e eles podem ler isso). Culminou com a febre das salas de bate-papo na internet (nem existia MSN Messenger... Era MIRC e ICQ) e numa dessas salas conheci uma moça de Brasília e acabei indo lá conhecê-la, com o intuito de morar lá, até emprego tinha conseguido. Porém não deu certo o relacionamento, mas ela se tornou a mãe do meu primogênito, meu filho amado, caminhando pra fazer 11 anos. Voltei pro Rio, "bati cabeça" por poucos meses e namorei de novo. Três anos, comportado, porém tendo que suportar tentações mil pra manter o comportamento. Com o fim desse relacionamento, minha vida mudou (ainda não sei se pra melhor ou pior) e nada mais foi o mesmo. Curti um longo luto do fim desse relacionamento, suportei tentações que ninguém acreditaria e tempos depois conheci a mãe da minha filha, um outro relacionamento que trouxe uma outra bênção pra minha vida, mas não deu certo, paciência. Nada mais era igual e eu percebi que me tornei um cara ainda mais carente, porém mais medroso. Tentei engatar relacionamentos mas nenhum passava de 3 meses, logo eu, afeito aos relacionamentos longos. Acabei voltando aos relacionamentos à (longa) distância e os estraguei com minha insegurança, volubilidade (que não existiam) e bipolaridade (que descobri só esse ano). 

A carência destruiu minha vida afetiva. Carência não é algo normal, não é algo bom, desculpe quem discorda de mim. Minha experiência com a carência é uma merda. Me tornou um ser que eu não sou e talvez seja algo sem volta. Cometi erros num espaço de 1 ano jamais cometidos em minha vida. Dei atenção à moças "vampiras de ego", "piriguetes", "volúveis" e deixei pra trás mulheres fantásticas porque fiquei com MEDO. Medo de que? De ser feliz? Ou de ter um belo castelo de sonhos destruído? (homens também sonham). Recorrendo à História, várias Nações, em guerra, tiveram mais do que castelos destruídos e se reergueram e hoje são grandes Nações que usam essa história de superação para se manterem fortes. Eu quero ser uma grande Nação um dia. Não quero que uma bomba atômica de carência devaste os restos da minha vida sentimental. Reconstruir tudo sozinho é humanamente impossível e usar alguém pra reconstruir é injusto.

Moral da história: Não estou procurando "Susan" desesperadamente e tampouco estou "deprê" porque o Dia dos Namorados está à porta. Foi apenas um desabafo. Pode fazer bem pra alguém, inclusive pra mim. O que vier, virá. Ainda bate um coração, ainda que destroçado, no meu peito. E há esperança enquanto há vida.

Beijo nas crianças,
MB