segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Querido Diário de Carnaval 2012 (Crônica)

Esse Carnaval está sendo diferente de muitos que eu vivi. É uma época que eu já achava graça brincar, me fantasiar, mas isso foi se perdendo. Eu era um assíduo telespectador de desfiles de Escolas de Samba, dava as minhas notas, sabia todos os sambas e vivia sempre torcendo pra minha Portela. Fiquei triste pela queda do Império Serrano, Escola co-irmã, pela qual tenho um imenso respeito.

Sou músico de MPB e no Carnaval sempre era um período de descanso, mas o samba sempre foi algo que eu sempre ouvi por causa da família e por causa das minhas idas quando criança até a Portela. Acabei há poucos anos incursionando no meio do samba, como intruso mesmo, mas os sambistas tem me recebido muito bem e acho que no meu sangue corre samba, pois canto e toco com muita naturalidade. Gostei desse meio e vejo grande camaradagem, um lance legal. Desde essa incursão, o Carnaval passou a ser sinônimo de trabalho e quero que continue assim, pois a música é a minha terapia.

Voltando ao cerne da crônica, esse Carnaval me trouxe emoções boas e ruins. As boas são os shows bem sucedidos que fiz e as ruins foram conversas indesejáveis que me mostraram o quanto perdi tempo com pessoas que não querem saber de mim. Foi jogada pra minha "conta" a saúde de duas pessoas, por causa de coisas que escrevi neste Blog. Permanecerão apagadas por respeito e como eu disse anteriormente, por terem sido escritas em momentos de raiva e crise nervosa. Porém, chegou o momento de, definitivamente, virar a página e seguir em frente, pois eu quero seguir. Já me declarei Bipolar na crônica anterior e, repito, é um diagnóstico que não me orgulha, mas viverei com ele e viverei NORMALMENTE. Nem sempre a ignorância é uma bênção. Fiquei um tempo sem saber do meu Transtorno e essa ignorância foi vital para que eu quase pusesse minha vida a perder.

Essa segunda e terça de Carnaval, terei o meu descanso e quarta às 7 da manhã, estarei na Igreja recebendo a imposição das cinzas e começando a minha Quaresma. Faço show, voz e violão em Guadalupe mais tarde e voltarei pra casa com a proposta de uma vida nova. A espiritualidade é importante no controle de qualquer Transtorno de Humor. Triste é saber que um grande amor se acabou e o rancor do lado de lá é mais forte que o sentimento outrora chamado amor, do qual duvido muito, pois a própria pessoa conhece bem I Coríntios 13 e lá está escrito o que é o amor.

Fui taxado de obsessivo, porém eu sei o endereço da casa da pessoa e não fui lá. Sei que ela está num momento crucial da vida dela, então não quero ser um estorvo. Obsessivos pensam nisso? Creio que não, segundo o significado da palavra. Apenas, como um homem que amava uma mulher, senti falta e fui até o limite da saudade. A procurei e fui muito mal sucedido. Há rancor. Muito rancor. Ontem, tive notícias ruins dela e me prontifiquei a ajudar, mas foi me dito que melhor não. Fui colocado como um monstro nessa história e o triste é ver pessoas que eram contatos meus há tempos se voltando contra mim e debochando da minha cara. É triste ver pessoas que se diziam minhas amigas fazerem relatos de situações isoladas pra piorar mais a minha situação. Pessoas que diziam que me amavam.

O amor e a amizade já estão banalizados e o mundo parece caminhar mesmo pra um fim. Não aquele fim onde acontece catástrofes naturais, mas o próprio ser humano não se aguentando mais. Vejo que quanto a isso, nada posso fazer. O que posso fazer é manter perto de mim aqueles que sabem qual é o meu valor, e não pessoas que conjecturam qual o meu valor. Todo mundo erra, todo mundo já magoou alguém, todo mundo já foi derrotado um dia. E todos merecem perdão. TODOS. Mas temos a liberdade de não perdoar. Por exemplo, não consigo perdoar um estuprador. Mas não fico carregando dentro de mim a indignação. Talvez, se fosse com a minha filha, isso seria bem diferente, sinceramente falando. Eu não responderia por mim. Eu não perdoaria um pedófilo... Sou humano e tenho meus limites. Mas eu perdoaria uma pessoa que amo. Não é nenhum ato de nobreza, é algo inerente ao AMOR. Meus pais me amam e eu os amo, e nos machucamos muito entre nós, mas sempre acabamos nos perdoando porque há AMOR. Se não há perdão, não há amor, nunca houve. Se há rancor, somente o portador se prejudicará. A tristeza de quem sofre o rancor de outrem, o tempo apaga, Deus passa a borracha e oferece vida nova.

Eu quero essa vida nova. E você?

Beijo nas crianças,
MB