segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Males e Malas (Crônica)

Diz o dito popular: "Há males que vem para o bem" ou "Tem malas que vão de trem". De fato. Lembro de todos os males que causei e que me foram causados. Todos levaram as "vítimas" para uma vida melhor, depois. A bonança sempre vem após a tempestade. O problema é que estragamos por vezes essas benesses pós-tempestade. Eu cresci bastante com meus momentos de vilão e vítima, porém regredi em algumas coisas. Resultado: me dei mal novamente com erros iguais ou parecidos. Mas vejo algo muito bom em mim: avanço cinco casas e regrido duas. Isso é bom. Isso é humano. Mas há pessoas que avançam cinco casas e regridem seis. Estas são aquelas que a cada decepção se fecham cada vez mais pro mundo e inventam uma falsa felicidade pra sociedade não "cair em cima". Tem que ver isso aí.

O que é melhor? Fazer terapia e equilibrar a química do corpo com medicamentos ou ficar inventando subterfúgios pra ser feliz de mentirinha? Eu fico com a primeira opção. É a que me faz regredir poucas casas. Nós sempre regredimos, todos, sem exceção. Nem sempre os dados rolam ao nosso favor. A opção terapêutica/medicamentosa, pra uns ignorantes, trazem uma felicidade de mentirinha. Pessoas ficam com medo da "tarja preta" pois causa dependência, como a própria embalagem diz. Acho engraçado, porque sou usuário de "tarja preta" desde 2007, o que configura aproximadamente 5 anos de uso. Digo a vocês: NÃO SOU DEPENDENTE! Não estou fazendo apologia, entendam! Eu preciso dos medicamentos pois tenho desequilíbrio químico no organismo, pois tenho Transtorno Afetivo Bipolar de Humor (repetindo, não por orgulho, mas por assumir uma coisa que muitos portadores DEVERIAM ASSUMIR). Então, tomo meus remédios controlados com muita responsabilidade (exceto quando tentei me matar, por isso a medicação não fica mais ao meu alcance) e vivo normalmente, durmo 8 horas por dia, me exercito, penso, leio, faço música, tenho minha personalidade intacta e aquilo que eu julgava parte da minha "personalidade forte" sumiu, ou seja, não agrido mais pessoa alguma verbal e gratuitamente. Não preciso me mergulhar em algo pra fingir que sou feliz. Saio de casa, brinco com meus filhos quando eles estão aqui, tenho minha libido no seu nível normal (e sexo não é subterfúgio pra mim), vou fazer meus shows com profissionalismo (se subo no palco, meus problemas ficam fora dele), retomei minha espiritualidade (o que é muito importante pra quem tem qualquer transtorno mental) e procuro encontrar pessoalmente com meus poucos e bons amigos. Uso o meu iPad para mera distração nos momentos vagos e sento de frente pro meu PC (um dia será Mac!) pra fazer o básico. Minha prioridade é a vida, afinal, foram 4 tentativas fracassadas de acabar com ela. Chega, né! Papai do Céu me quer aqui pra determinadas coisas e as farei. Quando Ele quiser, me leva.

Enquanto uns vivem de subterfúgios, eu tão somente vivo. E vou errar ainda algumas vezes, mas vou crescer muito e quem sabe errar menos. Me sinto mais humano do que nunca! Não descobri nada tarde demais, descobri na hora que tinha que descobrir. Àqueles que magoei, tive a oportunidade de pedir perdão diretamente para algumas pessoas. Algumas nem querem ouvir meu pedido de perdão. Se lerem, já está bom, porque o que mais vale pra mim não é o perdão alheio e sim o meu reconhecimento e arrependimento de minhas próprias falhas. Só vale mesmo pra mim o perdão de Deus e o meu perdão a mim mesmo. Só. Quem quiser manter rancor no seu coração, é por sua conta e risco. As doenças psicossomáticas não vão vir a mim.
Perdoo todos aqueles que me machucaram, mas alguns deles ficarão fora da minha vida. Se algum dia encontrar com essas pessoas, serei educado e cordial com elas conforme meus pais me ensinaram.

Beijo nas crianças
MB