sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Mais ou Menos, do Mesmo (Crônica)

Doenças e transtornos mentais lideram a estatística de preconceito, que meus olhos fazem. Acho que opção sexual, opção religiosa e cor de pele já estão com algum caminho andado. Existem até Leis específicas que protegem as pessoas que sofrem estes preconceitos. Porém, vejo que o caminho pras pessoas que têm problemas de ordem mental está bem tortuoso. Desde quando revelei meus problemas, perdi "devotas" amizades e trabalhos. Ontem eu estava tendo uma conversa animadíssima (no bom sentido) com uma amiga e quando eu disse: "Eu tomo antidepressivos", a conversa PAROU. Deu pra ouvir até o "cri" dos grilos.

Vamos colocar na conta uma outra coisa: Quando eu exponho meu problema psicológico, vários "especialistas" destilam seus pós-diagnósticos. Alguns alegam falta de fé, de religiosidade; outros alegam que os DOIS PSIQUIATRAS que me diagnosticaram estão errados; outros dizem que sou negativo e preciso fazer reprogramação mental; outros dizem que procuro pena, compaixão alheia, ou seja, que pratico a tão "deplorável" autopiedade. Enfim, eu tenho vários pós-diagnósticos que deveriam deixar minha cabeça confusa, mas não deixam. Sei o que tenho e sei o que devo fazer. Ponto. Sei as consequências que sofrerei se eu não fizer o que tenho que fazer. Ponto.

Muita gente se afastou. Alguns com plena razão e anuência de minha parte. Fiz bobagem, fui grosseiro, deselegante e inadequado. Porém, após tudo começar a ser resolvido, tenho voltado a ser, pouco a pouco, o cara que tanta gente cativou. Uns permaneceram e tem visto essa transformação, essa restauração. Já pedi perdão público a toda essa gente que machuquei ou fui simplesmente indelicado um dia. A bola agora é deles, pois eu me arrependi de todos os erros. Pra mim, o arrependimento vale mais que o perdão alheio. É algo que aprendi recentemente. O arrependimento liberta. O perdão alheio apenas arremata, mas a falta dele não mata.
Se tem duas coisas que aliviam qualquer alma são: arrepender-se e perdoar (principalmente a si mesmo). Nesta ordem. Eu já me perdoei e estou buscando perdoar a todos que me fizeram algum tipo de mal. Eu já me arrependi de todos os meus erros até aqui. Sinto-me cada dia mais leve e isso não é efeito dos medicamentos que sou usuário.

Porém, gente nova se aproximou. É boa essa renovação no quadro social do clube do nosso coração (não confundir com clubes de futebol, por favor). Os depressivos e transtornados são unidos, porém morrem de medo do preconceito. É um alívio quando conseguimos falar de nossos problemas pra alguém que os entenda e não nos julgue. Eu conheço pessoalmente quatro Bipolares diagnosticados. São quatro pessoas diferentes, com tratamentos diferentes, pois tem organismos diferentes. Uma dessas pessoas não se trata adequadamente e ainda assim é uma pessoa de grande inteligência, mas pela falta do tratamento adequado torna-se uma bomba-relógio que pode explodir a qualquer momento.

Encerro essa crônica com dizeres de Laércio Benitez (ou seja, eu... rs) sobre o assunto:
"Quer ter vida social? Nunca revele que tem depressão ou coisa parecida. Não revele que toma antidepressivos. Use um sorriso de mentira e palavras positivas que você não acredita. Vai ter um monte de amiguinhos em volta".

Beijo nas crianças,
MB