sábado, 28 de janeiro de 2012

Inesperado (Poesia)

Estava eu, desavisado
Numa noite regada à música e poesia
Era eu um dos músicos e também um dos poetas
Era ela uma moça que nunca tinha visto
Até o momento que os olhares se encontraram
Despropositados, sem malícia
Porém, meus olhos vez em quando a visitavam
E ela em todas as vezes olhou nos meus olhos
Vi que poderia haver propósito nisso tudo
Mas eu, desacreditado da vida, preferi o ceticismo
Deixei a noite seguir e ela foi linda
Leve e consoladora
Fui pra casa com uma boa sensação
E só...
Alguns dias se passaram
E passei muitas agruras
Por muito pouco não faleci
Após mais uma tentativa contra a minha, até então, miserável vida
A quarta tentativa, diga-se de passagem
Ingeri um verdadeiro "coquetel molotov"
Medicamentos, um litro de Ballantines e meio litro de Red Bull
Me dirigi pra minha cama e lá fiquei desacordado esperando a morte vir
Fui salvo por duas modernices:
Uma foto postada em rede social
E uma ligação de uma pessoa que jamais pensaria que ligasse
Foi o bastante pra acordar minha mãe
Buscar ajuda e impedir minha iminente morte
Depois, ao acordar no hospital, já em alta
Fui pra casa, ainda abalado, perguntando a mim mesmo:
"Pra que viver? Pra que viver?"
A resposta nem sempre vem na hora
Eis que dias depois aquela moça lá do começo da poesia
Vem falar comigo e tecer elogios pelas canções que cantei
E pelo o que eu falei naquele microfone
Me senti acarinhado como há tempos não me sentia
E a conversa foi fluindo
E descobrimos que naquele momento estávamos há 10 minutos de distância
Não hesitei em solicitar vê-la
Ela aceitou e eu fui, mesmo não podendo sair só
Minha mãe certamente tem sexto sentido
Cheguei e engatamos imediatamente em profunda conversa
Aquela conversa de olhos nos olhos
Uma partilha de dores
E num dado momento não resisti em segurar a mão dela
E ficamos ali, silenciosamente contemplando as mãos se acariciando entre si
E aí veio o inesperado:
Ela se aproximou mais de mim
E eu não resisti em beijar-lhe a boca
Naquele momento esquecemos ambos nossas dores
Beijos intensos, fatais
Como cavalheiro, conduzi a dama ao seu carro
Como dama, ela me conduziu até o meu carro em seu carro
Ao nos despedirmos, mais beijos intensos e fatais
E no fim, ela fez o sinal da cruz na minha testa
E me abençoou
Eu retribui e a abençoei
Daqui não sei mais o que escrever
Mas sinto que o inesperado apenas começou a agir
Não sei o que vem a seguir, mas só essa noite já valeu a pena.