domingo, 29 de janeiro de 2012

Do Coração, Tripas... (Crônica)

A banalização do amor já é realidade há muito tempo, podemos considerar isso um fato. Dizer "Eu te Amo" não é como dizer "Bom Dia, Boa Tarde, Boa Noite". Porém, não é pra irmos até o outro extremo e não dizer mais essa expressão com a desculpa de que isto é algo que não se diz: se demonstra. O ser humano tem cinco sentidos, e um deles é a AUDIÇÃO. Portanto, é importante saber de forma verbalizada que somos amados. E essa forma verbalizada é usada até pra quem perdeu a audição e capacidade de fala. Sim, os surdo-mudos também amam e tem a sua forma de demonstrar com a sua linguagem específica. De nada adianta, claro, demonstrar e verbalizar um falso amor ou uma paixão confundida com amor ou uma obsessão confundida com amor.

Quem ama, não se anula em detrimento da pessoa amada. Isso é outra coisa. O nome disso é subserviência. Perfeito pra aquelas pessoas que necessitam estar "por cima" na relação, onde a posição certa é "ao lado". Posições diferentes dessa só servem pro sexo. Eu, particularmente, tenho preguiça de mulher subserviente. Gosto daquelas que tem personalidade, fibra e que saibam a hora de ser companheiras. As pessoas subservientes são cegas, obedecem a tudo e deixam de lado sua capacidade intelectual pra fazer o que "o outro" manda. Quando a pessoa tem um mínimo de conteúdo intelectual, vai chegar em certo momento a cansar e perceber que estava agindo errado. Porém, colocam a culpa no "outro". Sou um homem muito desconfiado de pessoas que só contam histórias de vitórias. Não há um ser humano nesse mundo que venceu todas as batalhas da vida, que nunca magoou alguém e que nunca tenha cometido um erro. Eu fui heroi e vilão em muitas das histórias da minha vida. Essas vociferações de pessoas que querem se manter em posições superiores, por exemplo, dizendo que "DEUS ESTÁ NO MEU LADO", são inúteis. Deus (acredite você ou não em Sua existência, com licença, eu acredito) está ao lado dos justos e injustos. Esta Entidade Superior ou o Universo (como os adeptos da Lei da Atração preferem chamar) está ao lado de todos, sem distinção. Está ao acesso de qualquer pessoa.

O orgulho só faz do nosso coração um monte de tripas. A falta de perdão é veneno pra aquele que não perdoa. O não perdoado se machuca, mas não se envenena e logo se recupera, e mais, não precisa depois do perdão daquela pessoa a partir do momento que ela se arrepende verdadeiramente do erro, isso quando errou. Já a pessoa que não perdoa, ela sofre consequências psicossomáticas e espirituais (pra quem acredita ou não). O rancor é um veneno mortal que prejudica tão somente àquele que é o portador. Pode ser que, por rancor ou sentimentos venenosos do tipo, a pessoa portadora prejudique outrem, mas existe a Lei da Ação e Reação. O mal que se faz aqui começa a ser recebido de volta aqui e prossegue ao plano espiritual. Com o bem, a mesma coisa. É um efeito "bumerangue". E dependendo de como você joga esse "bumerangue", ele volta golpeando sua cabeça, te causando dores ou até a morte. Não aconselho morrer com orgulhos, ódios e rancores no coração. O que vem depois é tão ruim que nenhum livro que fala sobre o plano espiritual, seja de qual corrente religiosa ou filosófica que for, consegue retratar com exatidão. Eu vi a morte de perto algumas vezes, por segundos até já estive morto. Garanto-lhes que não é bom o que vem depois.

Dessas tripas, que antes era um coração pulsante, alegre e esperançoso, espero que volte a estas condições de antes, de maneira mais intensa, mais consciente e mais duradoura. Tenho certeza de que, humano que sou, machuquei muitos corações direta ou indiretamente. Principalmente os dos meus pais, que seguram há tempos uma barra muito pesada por minha causa. São meus herois. E por eles buscarei que meu coração se restaure e que com a força do meu trabalho eu seja digno de orgulho deles e dos meus filhos.

Certa pessoa disse em uma mensagem de celular que eu "já fiz mal a muita gente". Estou procurando essa gente pra pedir minhas sinceras desculpas, mas não acho essa gente toda. Pelo o que vejo não foi "muita gente". Porém, tenho inúmeras testemunhas de quanta gente me fez mal com o sentimento maligno da inveja. Inveja de que? O que eu sou? Sou apenas um artista que nasceu e se criou no subúrbio do Rio de Janeiro, que fez 1º e 2º graus em escolas públicas, e sem cursinho nem nada, foi capaz de passar em um vestibular pra UERJ para Estatística. Não dei prosseguimento porque a arte é a minha vocação. Acabei me formando na minha área de atuação. Sou Produtor Fonográfico, com muito orgulho. Nunca fiz nada de relevante na área artística, nunca acompanhei em tournèes grandes artistas da música brasileira, fui músico de barzinho durante muitos anos e ainda toco em alguns, mas tenho uma vida material de certa forma bem estruturada COM A FORÇA DO MEU TRABALHO, ainda que não relevante no cenário artístico. Levei 6 anos pra finalizar meu primeiro disco, aos 15 anos de carreira. Hoje, ela está caminhando pra sua maioridade. Em Setembro de 2012 fará 18 anos. Vejo tanta gente que fez trabalhos super relevantes com a vida completamente apertada. Não sou juiz e não tenho como explicar que pessoas que ganham cachês que equivalem ao triplo dos meus passarem aperto e eu, com meus modestos trabalhos ter uma vida da qual não posso reclamar. Será que foram as sementes plantadas? A colheita é obrigatória. Eu colho frutos bons e nunca entrei em panelinha nenhuma pra fazer meu trabalho. Eu apenas o faço. Honestamente. Minha reputação não tem manchas. Ninguém me moveu processos, eu não movi processos contra ninguém.

Sou portador de depressão forte desde criança, porém só em 2007 ela foi diagnosticada após a minha primeira tentativa de suicídio. No total, até o fim dessa crônica, foram quatro tentativas. A última, em especial, foi a que me deixou morto por alguns segundos, sendo necessário o uso da massagem cardíaca para ressuscitação. Eu voltei da morte e desacordei. Só acordei quando recebi alta no hospital e o médico, piadista, ainda me disse: "vai viver, rapaz! Se eu fosse jovem e bonito como você, estaria com três mulheres". Claro que foi um comentário cômico, até porque dar conta de três mulheres é complicado. Sim, ele me disse isso porque essa quarta tentativa foi por causa de uma mulher. Por causa, não por culpa, entendam! Porém, a incredulidade e a indiferença dela em relação ao que houve está matando (graças a Deus) o amor que por ela sinto. Temos a seguinte proporção no momento: quanto mais cresce o meu amor próprio, mais diminui o meu amor por ela. Amor igual ao meu ela nunca mais terá (fazendo uma leve mudança num trecho de uma música do CIDADE NEGRA). Assim como cantava TIM MAIA, "já é tempo, está na hora, não me interessa quem foi embora, pois tudo vai mudar... depende um pouco do meu próprio esforço e eu vou ser feliz". Assim como canta ALCEU VALENÇA, "coração bobo, coração bola, coração balão, coração São João, a gente se ilude dizendo: já não há mais coração". E fechando, cito FLÁVIO VENTURINI, "peço um amor que me conceda noites com sol. Onde só tem o breu, deixa entrar o sol, vem me trazer amor... Pode abrir a janela, noites com sol e neblina, deixa rolar nas retinas, DEIXA ENTRAR O SOL!

Mereço amar de novo. Obviamente, segundo CASSIANO, "e um novo amor será nova glória para ser depois uma história em minha história".

Fecho essa crônica cantando SOL, de Duda Lucena, música que diz: "E TUDO QUE UM DIA É NOITE, NO OUTRO DIA É SOL, SOL, SOL"... Sinto muito, mas as tripas voltarão a ser CORAÇÃO! No mais, te desejo sucesso, felicidade e como eu costumo dizer em despedidas desse tipo: "eu quero que você fique muito bem... bem longe de mim"!

Marcio Bragança / Laércio Benitez

Marcio Bragança - Sol (Duda Lucena)