segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O Dia da Saudade Que se Foi (Poema)

Fiquei sabendo que 30 de Janeiro é o Dia da Saudade
E fiquei, no banho, pensando em tudo que eu sentia saudade
Surpreso, descobri nos meus escombros sentimentais
Que uma saudade não mais existia
Pensei fortemente nessa pessoa
Repeti seu nome em pensamento várias vezes
E senti nada... nada...
Não havia saudade
Não havia mágoa
Não havia retrospectivas
E escapou do meu rosto um sorriso
Acompanhado de um sentimento de paz
Ao sair desse banho, que lavou minha alma
Vim ao computador e fiquei contemplando uma bela foto dela
E senti nada... nada...
E comecei a escrever esses versos em paz
Com respiração lenta, compassada
Com uma leveza que não sentia há tempos
Com uma leveza que nunca senti ao lado dela
Ao invés de ofendê-la poeticamente, como fiz outrora
Quero agradecê-la!
Aprendi muito ao lado dela
E nas dores da ausência dela
Arruinou-me a vida!
Mas agradeço, porque arruinou uma vida que eu não queria viver!
Levou-me a me conhecer, a me reencontrar comigo
Dia 30 de Janeiro, particularmente, pra mim, passa a ser também
O DIA DA GRATIDÃO
Não tem mais ressentimentos
Aprendi que não devo me irritar quando me chamam de filho da puta
Porque minha mãe não é uma
Aprendi que não devo me irritar quando me chamam de desgraçado
Porque a graça divina se faz presente em todos os dias da minha vida
Até daquela vida que eu não queria, e que foi arruinada
GRAÇAS A DEUS!
Aprendi que não devo me irritar quando me chamam de peso morto
Porque Deus (acreditem Nele ou não) me deu um dom que faz muita gente feliz
E que até já salvou vidas, inclusive a minha
Enfim, aprendi com ela que não devo me irritar quando me chamam de algo que não sou!
Aprendi que o rancor leva à morte física e espiritual
E decidi que não quero partir dessa vida
Antes da minha hora chegar
MUITO OBRIGADO!

domingo, 29 de janeiro de 2012

Do Coração, Tripas... (Crônica)

A banalização do amor já é realidade há muito tempo, podemos considerar isso um fato. Dizer "Eu te Amo" não é como dizer "Bom Dia, Boa Tarde, Boa Noite". Porém, não é pra irmos até o outro extremo e não dizer mais essa expressão com a desculpa de que isto é algo que não se diz: se demonstra. O ser humano tem cinco sentidos, e um deles é a AUDIÇÃO. Portanto, é importante saber de forma verbalizada que somos amados. E essa forma verbalizada é usada até pra quem perdeu a audição e capacidade de fala. Sim, os surdo-mudos também amam e tem a sua forma de demonstrar com a sua linguagem específica. De nada adianta, claro, demonstrar e verbalizar um falso amor ou uma paixão confundida com amor ou uma obsessão confundida com amor.

Quem ama, não se anula em detrimento da pessoa amada. Isso é outra coisa. O nome disso é subserviência. Perfeito pra aquelas pessoas que necessitam estar "por cima" na relação, onde a posição certa é "ao lado". Posições diferentes dessa só servem pro sexo. Eu, particularmente, tenho preguiça de mulher subserviente. Gosto daquelas que tem personalidade, fibra e que saibam a hora de ser companheiras. As pessoas subservientes são cegas, obedecem a tudo e deixam de lado sua capacidade intelectual pra fazer o que "o outro" manda. Quando a pessoa tem um mínimo de conteúdo intelectual, vai chegar em certo momento a cansar e perceber que estava agindo errado. Porém, colocam a culpa no "outro". Sou um homem muito desconfiado de pessoas que só contam histórias de vitórias. Não há um ser humano nesse mundo que venceu todas as batalhas da vida, que nunca magoou alguém e que nunca tenha cometido um erro. Eu fui heroi e vilão em muitas das histórias da minha vida. Essas vociferações de pessoas que querem se manter em posições superiores, por exemplo, dizendo que "DEUS ESTÁ NO MEU LADO", são inúteis. Deus (acredite você ou não em Sua existência, com licença, eu acredito) está ao lado dos justos e injustos. Esta Entidade Superior ou o Universo (como os adeptos da Lei da Atração preferem chamar) está ao lado de todos, sem distinção. Está ao acesso de qualquer pessoa.

O orgulho só faz do nosso coração um monte de tripas. A falta de perdão é veneno pra aquele que não perdoa. O não perdoado se machuca, mas não se envenena e logo se recupera, e mais, não precisa depois do perdão daquela pessoa a partir do momento que ela se arrepende verdadeiramente do erro, isso quando errou. Já a pessoa que não perdoa, ela sofre consequências psicossomáticas e espirituais (pra quem acredita ou não). O rancor é um veneno mortal que prejudica tão somente àquele que é o portador. Pode ser que, por rancor ou sentimentos venenosos do tipo, a pessoa portadora prejudique outrem, mas existe a Lei da Ação e Reação. O mal que se faz aqui começa a ser recebido de volta aqui e prossegue ao plano espiritual. Com o bem, a mesma coisa. É um efeito "bumerangue". E dependendo de como você joga esse "bumerangue", ele volta golpeando sua cabeça, te causando dores ou até a morte. Não aconselho morrer com orgulhos, ódios e rancores no coração. O que vem depois é tão ruim que nenhum livro que fala sobre o plano espiritual, seja de qual corrente religiosa ou filosófica que for, consegue retratar com exatidão. Eu vi a morte de perto algumas vezes, por segundos até já estive morto. Garanto-lhes que não é bom o que vem depois.

Dessas tripas, que antes era um coração pulsante, alegre e esperançoso, espero que volte a estas condições de antes, de maneira mais intensa, mais consciente e mais duradoura. Tenho certeza de que, humano que sou, machuquei muitos corações direta ou indiretamente. Principalmente os dos meus pais, que seguram há tempos uma barra muito pesada por minha causa. São meus herois. E por eles buscarei que meu coração se restaure e que com a força do meu trabalho eu seja digno de orgulho deles e dos meus filhos.

Certa pessoa disse em uma mensagem de celular que eu "já fiz mal a muita gente". Estou procurando essa gente pra pedir minhas sinceras desculpas, mas não acho essa gente toda. Pelo o que vejo não foi "muita gente". Porém, tenho inúmeras testemunhas de quanta gente me fez mal com o sentimento maligno da inveja. Inveja de que? O que eu sou? Sou apenas um artista que nasceu e se criou no subúrbio do Rio de Janeiro, que fez 1º e 2º graus em escolas públicas, e sem cursinho nem nada, foi capaz de passar em um vestibular pra UERJ para Estatística. Não dei prosseguimento porque a arte é a minha vocação. Acabei me formando na minha área de atuação. Sou Produtor Fonográfico, com muito orgulho. Nunca fiz nada de relevante na área artística, nunca acompanhei em tournèes grandes artistas da música brasileira, fui músico de barzinho durante muitos anos e ainda toco em alguns, mas tenho uma vida material de certa forma bem estruturada COM A FORÇA DO MEU TRABALHO, ainda que não relevante no cenário artístico. Levei 6 anos pra finalizar meu primeiro disco, aos 15 anos de carreira. Hoje, ela está caminhando pra sua maioridade. Em Setembro de 2012 fará 18 anos. Vejo tanta gente que fez trabalhos super relevantes com a vida completamente apertada. Não sou juiz e não tenho como explicar que pessoas que ganham cachês que equivalem ao triplo dos meus passarem aperto e eu, com meus modestos trabalhos ter uma vida da qual não posso reclamar. Será que foram as sementes plantadas? A colheita é obrigatória. Eu colho frutos bons e nunca entrei em panelinha nenhuma pra fazer meu trabalho. Eu apenas o faço. Honestamente. Minha reputação não tem manchas. Ninguém me moveu processos, eu não movi processos contra ninguém.

Sou portador de depressão forte desde criança, porém só em 2007 ela foi diagnosticada após a minha primeira tentativa de suicídio. No total, até o fim dessa crônica, foram quatro tentativas. A última, em especial, foi a que me deixou morto por alguns segundos, sendo necessário o uso da massagem cardíaca para ressuscitação. Eu voltei da morte e desacordei. Só acordei quando recebi alta no hospital e o médico, piadista, ainda me disse: "vai viver, rapaz! Se eu fosse jovem e bonito como você, estaria com três mulheres". Claro que foi um comentário cômico, até porque dar conta de três mulheres é complicado. Sim, ele me disse isso porque essa quarta tentativa foi por causa de uma mulher. Por causa, não por culpa, entendam! Porém, a incredulidade e a indiferença dela em relação ao que houve está matando (graças a Deus) o amor que por ela sinto. Temos a seguinte proporção no momento: quanto mais cresce o meu amor próprio, mais diminui o meu amor por ela. Amor igual ao meu ela nunca mais terá (fazendo uma leve mudança num trecho de uma música do CIDADE NEGRA). Assim como cantava TIM MAIA, "já é tempo, está na hora, não me interessa quem foi embora, pois tudo vai mudar... depende um pouco do meu próprio esforço e eu vou ser feliz". Assim como canta ALCEU VALENÇA, "coração bobo, coração bola, coração balão, coração São João, a gente se ilude dizendo: já não há mais coração". E fechando, cito FLÁVIO VENTURINI, "peço um amor que me conceda noites com sol. Onde só tem o breu, deixa entrar o sol, vem me trazer amor... Pode abrir a janela, noites com sol e neblina, deixa rolar nas retinas, DEIXA ENTRAR O SOL!

Mereço amar de novo. Obviamente, segundo CASSIANO, "e um novo amor será nova glória para ser depois uma história em minha história".

Fecho essa crônica cantando SOL, de Duda Lucena, música que diz: "E TUDO QUE UM DIA É NOITE, NO OUTRO DIA É SOL, SOL, SOL"... Sinto muito, mas as tripas voltarão a ser CORAÇÃO! No mais, te desejo sucesso, felicidade e como eu costumo dizer em despedidas desse tipo: "eu quero que você fique muito bem... bem longe de mim"!

Marcio Bragança / Laércio Benitez

Marcio Bragança - Sol (Duda Lucena)


sábado, 28 de janeiro de 2012

Inesperado (Poesia)

Estava eu, desavisado
Numa noite regada à música e poesia
Era eu um dos músicos e também um dos poetas
Era ela uma moça que nunca tinha visto
Até o momento que os olhares se encontraram
Despropositados, sem malícia
Porém, meus olhos vez em quando a visitavam
E ela em todas as vezes olhou nos meus olhos
Vi que poderia haver propósito nisso tudo
Mas eu, desacreditado da vida, preferi o ceticismo
Deixei a noite seguir e ela foi linda
Leve e consoladora
Fui pra casa com uma boa sensação
E só...
Alguns dias se passaram
E passei muitas agruras
Por muito pouco não faleci
Após mais uma tentativa contra a minha, até então, miserável vida
A quarta tentativa, diga-se de passagem
Ingeri um verdadeiro "coquetel molotov"
Medicamentos, um litro de Ballantines e meio litro de Red Bull
Me dirigi pra minha cama e lá fiquei desacordado esperando a morte vir
Fui salvo por duas modernices:
Uma foto postada em rede social
E uma ligação de uma pessoa que jamais pensaria que ligasse
Foi o bastante pra acordar minha mãe
Buscar ajuda e impedir minha iminente morte
Depois, ao acordar no hospital, já em alta
Fui pra casa, ainda abalado, perguntando a mim mesmo:
"Pra que viver? Pra que viver?"
A resposta nem sempre vem na hora
Eis que dias depois aquela moça lá do começo da poesia
Vem falar comigo e tecer elogios pelas canções que cantei
E pelo o que eu falei naquele microfone
Me senti acarinhado como há tempos não me sentia
E a conversa foi fluindo
E descobrimos que naquele momento estávamos há 10 minutos de distância
Não hesitei em solicitar vê-la
Ela aceitou e eu fui, mesmo não podendo sair só
Minha mãe certamente tem sexto sentido
Cheguei e engatamos imediatamente em profunda conversa
Aquela conversa de olhos nos olhos
Uma partilha de dores
E num dado momento não resisti em segurar a mão dela
E ficamos ali, silenciosamente contemplando as mãos se acariciando entre si
E aí veio o inesperado:
Ela se aproximou mais de mim
E eu não resisti em beijar-lhe a boca
Naquele momento esquecemos ambos nossas dores
Beijos intensos, fatais
Como cavalheiro, conduzi a dama ao seu carro
Como dama, ela me conduziu até o meu carro em seu carro
Ao nos despedirmos, mais beijos intensos e fatais
E no fim, ela fez o sinal da cruz na minha testa
E me abençoou
Eu retribui e a abençoei
Daqui não sei mais o que escrever
Mas sinto que o inesperado apenas começou a agir
Não sei o que vem a seguir, mas só essa noite já valeu a pena.


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Caixa Postal (Poesia)

Ligo pra você
Só pra ouvir sua voz na caixa postal
Sei que nunca mais serei atendido
Mas, deixe a mensagem lá
Pode ignorar quando o meu número aparecer no seu "bina"
Uma dose de "deixe seu recado" faz o meu dia melhor
Uma voz de mulher firme, lutadora, imbatível
Que outrora em meus braços se desmanchava
Ah, tempos gloriosos!
A sua risada das minhas piadas sem graça
Nossos papos-cabeça
Nossas discussões sobre seriados
Nossas línguas ferinas falando os podres
Dos bastidores do mundo artístico
Sinto falta de tudo isso
E mais um pouco
É uma dor que eu tento arrancar de mim
Mas quase tudo me lembra você
Somos iguais, até nos defeitos
Enfim, só me deixe ouvir a mensagem
Ela é a única forma de me fazer sentir
Que você está falando comigo por aqueles poucos segundos

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Autoconversa (Poesia)

Ah, Marcio
Você ainda está nessa?
Não consegue seguir em frente?
Onde está a sua felicidade expressa no sorriso daquela foto?

Ah, Marcio
Estou sim, confesso
Estagnei, não consigo me mover
Essa felicidade nunca existiu, foi fachada

Ah, Marcio
O que você vai fazer?
O que falta?
Você tem tantos amigos!

Ah, Marcio
Nada mais tenho a fazer
Nós sabemos o que falta
Amigos? Tem certeza? Todos me acham louco

Ah, Marcio
E a esperança?
E os seus planos?
Por que acham você louco?

Ah, Marcio
Como eu já não vivo mais, a esperança já se foi
Tenho mil barreiras a cada plano que tenho
Porque só cometo loucuras, uns fingem ignorar, outros me ignoram

Ah, Marcio
O que posso fazer por você?
Você me ama?
Você ama alguém?

Ah, Marcio
Você nada pode fazer
Já amei você, mas hoje não consigo mais
Sem amar você, fica difícil amar outra pessoa


domingo, 1 de janeiro de 2012

Eu Sou Virtual (Poesia)

Eu penso, logo existo
De fato, existo
Não vivo
Viver é pra gente privilegiada
Que, em sua maioria,
Não faz ideia do privilégio que tem
Vivem adoidados,
Mas sem a sabedoria de Ferris Bueller
Já eu, existo, apenas preencho um espaço
No Cyberespaço
Sou virtual, sou apenas umas centenas de bytes
Que batem nas mesmas teclas
Outrora já vivi, tive o gosto da vida
Sentia a brisa da vida em meu rosto
A emoção, o toque, o cheiro, as palavras
Desde quando "Orkutizei" minha, então, vida
Fui acabando com ela aos poucos
Me tornei limitado em 140 caracteres
Em uma febre absurda chamada "Twitter"
Migrei pro "intelectualizado" Facebook
Entrei na onda, segui o fluxo
Mas e a vida? Ela se extinguiu
Só fiquei ali, teclando, teclando
Reclamando, reclamando
Criticando, criticando
Discutindo, discutindo
Mas deixei de lado o viver
E passei somente a existir
Sim, infelizmente devo admitir
EU SOU VIRTUAL.